CAUSOS PROFISSIONAIS –

Fui engenheiro do DER – Departamento de Estradas de Rodagem-RN, durante vários anos, embora tenha passado alguns momentos difíceis, tive momentos de alegria, pois mesmo com as dificuldades passadas na vida, nunca deixei de ser uma pessoa alegre. No DER também vivi os meus “causos.”

Fui chefe da Divisão de Conservação e Melhoramentos, me auxiliava o engenheiro Edilson de Medeiros, nosso conhecido Bem Te Vi.  Pois bem, Edilson confidenciou a Ritinha – nossa secretária, que tinha um processo dele na delegacia da Receita Federal e já estava com o delegado para despacho final. Ela me falou, e como era muito alegre combinava comigo nas brincadeiras.  Combinamos então de quando ele chegasse à repartição, ela avisava que o Delegado queria falar com ele urgente e ficávamos observando a sua reação. Dito e feito, Edilson chegou, recado dado, ele andou um pouco pela sala, deu dois pulinho, tempo suficiente para que eu me baixe para apanhar um lápis. Quanto levantei a cabeça perguntei a Ritinha por Bem Te VI, ela respondeu – voou, voou pra onde Ritinha? Bem Te Vi tinha saído na maior carreira, para ir Receita Federal. Na volta triste me falou – foi um trote.

Meu bom colega engenheiro George Ferreira, elegeu-se prefeito do Município de Nísia Floresta e ofereceu um grande almoço para os funcionários do DER. Na época, tinha um funcionário de apelido Batuíra que era “tarado” por um microfone e um discurso. Pois bem, depois do discurso de George de agradecimento aos colegas, Batuíra pede a palavra e começa a saudar as autoridades e o futuro prefeito, Então falou: Nísia Floresta, bela terra banhada pelo rio potengí…, um gaiato mais atento gritou. – É trairi mesmo Batuíra. O nobre colega não perdeu a pose e nem a eloquência, pausadamente saiu-se com essa.

– Eu sabia, eu só queria ver se vocês estavam prestando atenção. Foi clamorosamente aplaudido.

Avani, um motorista do DER que dizia conhecer todas as cruzes existentes nas nossas rodovias, estaduais, federais e municipais. Eu desconfiava de tal conhecimento. Pois bem. Certa vez fomos viajar para Caicó. Saímos por volta das quatro horas da madrugada e quando o dia já ia amanhecendo começou a narração sobre as cruzes que íamos encontrando na viagem, e, diga-se de passagem, cada narração mais dramática que a outra. Perto de Caicó, em cima de um lajedo, tinham seis cruzes de um desastre de um Jeep Ford, que eu sabia da história. Disse para mim mesmo – Agora eu tiro as minhas dúvidas.

– Avani, e estas seis cruzes o que foi?  Ele dramaticamente narrou.

– Doutor Guga, isto foi uma Kombi que virou, pegou fogo e morreram todos.

 

 

Guga Coelho Leal – Engenheiro e escritor, membro do IHGRN

As opiniões emitidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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