A CASA DO MEU AVÔ –
Na década de cinqüenta, casa do meu avô ficava na Rua Seridó, quase esquina com a Avenida Nilo Peçanha. Uma casa feliz, um sobrado com grande quintal e algumas fruteiras. O sobrado de estilo imponente destacava-se das outras casas do seu quarteirão. Com um pé direito muito alto, suas salas destacavam-se pela beleza dos seus moveis. Logo na entrada um pequeno hall que dava acesso para um pequeno escritório, vindo em seguida à sala de visita e a sala de jantar, onde reunia a família de doze filhos, noras, genros e netos, as partes mais festejadas da casa.
A sala de visita, composta de poltronas confortáveis, um piano tocado por Tia Cristina, onde se ouviam músicas clássicas, boleros, tangos, eram as mais tocadas, mas, às vezes quando um amigo de meu avô chegava um gordo bonachão, que morava em Santa Rita Paraíba, esses ritmos eram trocados por marchinhas e sambas carnavalescos, já que o gordo tinha espírito carnavalesco e gostava de dançar.
Na sala de jantar onde geralmente vovó sentava em sua cadeira de balanço, era ponto para as conversas familiares e jantares festivos, como aniversários e festas natalinas,ou outras datas comemorativas.
Sentado na sua cadeira de balanço, ele atendia a todos. Os netos sentavam-se no chão para ouvir suas histórias e estórias que eram várias, os amigos de meus tios também se reuniam nesta sala para fazer a alegria da casa. Não lembro vovó fora de sua casa, a não ser quando ia para o seu engenho de moagem de cana de açúcar que ficava em São José de Mipibú, onde era sua segunda morada.
No quintal por trás ficavam várias fruteiras onde os netos corriam e subiam nas árvores e de vez em quanto, ele saia de sua cadeira de balanço para vê as nossas estripulias e mandar descer das fruteiras, Lembro de uma mangueira muito frondosa e de um pé de cajá manga onde a meninada fazia a festa.
Vovô adoeceu, uma grave enfermidade fez com que ele ficasse em cima de uma cama por vários anos e viesse a falecer. Aos poucos a casa da Rua Seridó foi perdendo a sua alegria, não havia, mas as festas, até o amigo paraibano chegava lá triste, sentia que a partida do amigo estava próxima.
Passaram-se os anos, mas aquela casa parecia anteceder a música de Sérgio Bittencourt “Naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele, tá doendo em mim.”
Guga Coelho Leal – Engenheiro e escritor, membro do IHGRN
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