O tédio dos eventos diários que vinha ocupando minha alma e pensamentos estavam me consumindo de preocupações. A desarrumação política, econômica, educacional, social e segurança, “é para os fortes” – como costuma dizer minha nora Viviane Eusébio. E eu sempre sonhador com dias melhores, almejando um futuro digno para as próximas gerações, andava cético e “meio” tristonho.

Eis que resolvo ir ao cinema, em busca de uma fantasia libertadora das tantas tensões diárias e, escolho um filme leve (sem tiros, crimes hediondos, explosões, drogas, malandragem) e vislumbro no cartaz: LA LA LAND Cantando as Estações.

Entrei com expectativa moderada, pois se tratava de um “musical”. Não que não goste, aprecio muito. Mas ao ler o folheto que citava um músico pianista de Jazz, abrir um sorriso e o coração.

Acompanhe-me então!

La La Land é um jeito carinhoso de chamar a cidade de Los Angeles. E nela se desenrola a magia de uma história contada na sua forma mais pura que é a vontade de amar das pessoas.

Em Cinemascope, o filme nos envolve pela combinação de diversos recursos, ora em destaques ora em conjunto, como a mudança de cena transmutada pela iluminação.

O roteiro é um ponto forte, de grande qualidade, com citações que demonstram a beleza marcante que surpreende até o último minuto.

Se você, caro leitor, está com seus sentimentos envolvidos em histórias nas quais os valores do amor não estão nem de longe insinuados, provavelmente, sua opinião será diferente.

Passada a cena de abertura – um plano-sequência que parece entediante, porém brilhante, talvez até “desanimador” para o desenrolar do restante do filme, se transforma em sutilezas à medida que as estações vão surgindo acompanhando a história de Mia (Emma Stone), atendente de uma cafeteria localizada em um grande estúdio, aspirante a atriz que, apesar do talento, não se sai bem nas audições seletivas.

O caminho dela vai se cruzar com o de Sebastian (Ryan Gosling), um pianista igualmente hábil, porém sem oportunidades de sucesso, que sonha em perpetuar o jazz – vertente da música que privilegia o “improviso” harmonioso e conflitante, ao tempo que eleva a sonoridade ao delicioso “sabor” da criatividade musical.

O roteirista quase que hipoteticamente não solta as mãos desses dois sonhadores em busca de seus espaços artísticos e, os joga na pista de dança que tem Hollywood como cenário. A fotografia e o figurino lembram os anos 1950/ 1960, dando ao filme uma ambientação nostálgica e animadora ao mesmo tempo.

A iluminação deixou-me feliz, pois sua utilização se dava de forma suave e parte integrante da mudança de cenas.

Mia e Sebastian não existem um sem o outro e representam as variadas etapas do amor apaixonante e ardente, quase adolescente, do primeiro contato ao momento em que, de fato, um não vive sem o outro.

O filme mostra que uma relação não precisa ser eterna para dar certo. Assim ocorreu com Mia e Sebastian – uma simbiose perfeita.  Nenhum dos dois teria conseguido conquistar os sonhos se não fosse pelo outro: ela escreveu a peça por conselho dele e mais além “obrigou-a” a fazer o teste e oportunizar seu sonho. Por causa de Mia, ele também entra na banda, de ritmos musicais inovadores, faz sucesso, ganha dinheiro, cria coragem de largar (depois da conversa com ela) e abre o seu clube de jazz com o nome sugerido por ela.

O filme é lindo e apaixonante!

As críticas divergem, mas, musicais não são para todos!

Para apreciar uma obra como essa é necessário estar disposto a trocar o clima de apreensão e amargura, pela leveza do clima empolgante e romântico do filme.

É necessário apreciar o cinema como arte e não apenas como entretenimento. Ter a sensibilidade de entrar na história e se envolver com cada canção, transforma nossa alma em plumas de satisfação.

Um filme para ficar na história dos musicais.

La, La, Land é um belo filme!

Cante você também suas estações!

Eu cantei as minhas e me fez um bem “danado”.

Carlos Alberto Josuá Costa – Engenheiro Civil e Consultor (josuacosta@uol.com.br)

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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