CAJUS DA VIDA –
Os últimos dias têm sido difíceis, hora rápidos demais, hora demorados como se não fossem terminar nunca…
Ando sorumbático, uma tristeza só…
Não mais prosa , poesia, poemas, a verve sumiu.
De repente o meu mundo quase perfeito ruiu e um novo cenário se apresentou com demandas horrorosas onde crianças – uma das purezas universais – padecem e morrem atingidas por uma guerra insana e fratricida.
Como pode em pleno século XXI vivenciarmos uma situação dessas ,enquanto o mundo de mãos atadas nada pode fazer, a não ser assistir esse filme de horror e fazer alguns boicotes sem resultados imediatos.
É a vida , dizem alguns, sempre fomos assim ao longo de séculos , forjando espaços territoriais na ponta de espadas , baionetas e afins. Respondo que não, é a insanidade humana que nos leva a essa situação dramática e que continua , infelizmente…
Mas, nem tudo são espinhos nesse jardim existencial. Eis que uma flor antiga de esperança,que brotou há muito me foi apresentada e tive a honra de conhecer hoje.
Há muito tempo ouvia falar de um senhor benfazejo que vivia a semear sementes e mudas nesta Natal que amo tanto, além de alimentar gatos famintos nas esquinas nossas. Diziam,se referindo a este senhor ,é um doido, ex- militar aposentado que vive a plantar mudas por aí …
Pois bem, vou demostrar só uma das façanhas dessa “alma boa” . Caso vocês não saibam, o canteiro central do prolongamento da AV. Prudente de Morais, sentido Cidade Satélite, hoje é todo arborizado por cajueiros que dão frutos e alimentam muita gente, além de embelezar com seus galhos frondosos uma das áreas urbanas nossas. Todo aquele espetáculo é obra desse homem simples, mas de uma grandeza imensurável.
Já sabia que ele existia, conhecia sua história, só não o conhecia pessoalmente e hoje tive essa honra e alegria. Estava em um mercadinho quando me apontaram sua figura ímpar, de imediato o cumprimentei e o parabenizei por tão despreendido trabalho e seus lúdicos resultados. Olhou para mim , seus olhos se iluminaram e disse: sabe , é a primeira vez que sou elogiado por esse meu trabalho, muito obrigado. Fiquei emocionado com sua sinceridade e jeito simples de ser.
Continuamos a falar da vida, de seu espírito alegre, jovem no conversar. Perguntei sua idade e a resposta me surpreendeu: faltam quatro meses para completar noventa anos.
O nome desse senhor é Vitor, transfigurado num doce caju a alimentar pessoas e a alegrar dias tristes como os que vivencio atualmente.
Parabéns senhor Vitor, que o paraíso divino que o espera num futuro distante seja terno e doce como sua iluminada figura humana.
José Alberto Maciel Oliveira – Representante comercial aposentado
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