BUROCRACIA – Ana Luíza Rabelo

BUROCRACIA –

A burocracia na qual vivemos é tão arraigada ao cotidiano que, muitas vezes, sequer a notamos. Infelizmente, de tempos em tempos, ela se faz claramente visível, principalmente nos momentos de maior necessidade e pressa. A tecnologia e seus elementos foram criados com o objetivo de facilitar o trâmite das relações jurídico-administrativas, mas seus produtos têm se voltado contra nós com uma constância implacável e tormentosamente ignóbil. Muitos hão de contradizer-me, apontando o estreitamento mundial, a facilidade de contato entre os seres e a rapidez incomensurável no processo de troca de informações. Entretanto, existe o lado obscuro da tecnologia digital/analógica na qual estamos inseridos no momento atual. Além da necessidade premente de atualizar-se digitalmente, a maioria das empresas, órgãos e pessoas físicas ainda cultiva uma certa relutância quanto à existência do abstrato. Arquivos de computador, gravações e outras maravilhas estão tornando-se redundantes, motivados pelo apego material e temor coletivo contra a perda dos dados.

Para um cadastro bancário, levam-se cópias, para arquivo e originais, que serão imediatamente “escaneadas”; quando vamos quitar algo, ganhamos mais um “papelzinho” para nossa garantia, pois nunca podemos confiar na eficácia do “sistema”, que volta e meia “fica fora do ar”; isso sem falar em incontáveis telefonemas e visitas para garantir o efeito material dos pagamentos. Sobre concursos, é melhor nem comentar. Inscrições online, pastas e mais pastas com cópias de documentos e um vai-e-vem sem fim. Sistemas financeiros e comerciais parecem precisar de manivelas e andam a passos lentos e claudicantes.

Os avanços deveriam existir para nos servir, não o contrário. O fax (que antes que eu me acostumasse foi quase substituído pelo scanner), o telefone celular, a internet e o computador de uma forma geral estão lidando com abismo de gerações dentre os que não conseguem confiar e os que não prescindem deles.

Analisando as circunstâncias que ora nos são apresentadas, há que se tomar alguma atitude, seja no sentido de respeitar as inovações tecnológicas, seja no sentido de descartá-las. Do contrário, iremos apenas necessitar de mais espaços nos arquivos, para papéis, CDs e pen-drives. Confiando que a “nuvem” irá, em breve, solucionar todo o problema de espaço e guardar todas as nossas informações enquanto o “sistema” permitir!

 

 

Ana Luíza Rabelo Spenceradvogada (rabelospencer@ymail.com)

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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