BRINC’ARTE – Patrícia Oliveira Araújo

BRINC’ARTE –

Com as novas tecnologias os brinquedos artesanais estão cada vez mais escassos nas feiras de artesanato, como também na casa dos brasileiros. Hoje em dia é muito difícil, se não quase raro, você ver uma criança brincando na rua, isso se dá por conta de fatores como a violência e a era digital. Devido a violência, as mães não deixam mais seus filhos saírem para brincar, por medo que algo aconteça e acabam cedendo a essas crianças os brinquedos da era digital como: vídeo games, tablets ou até mesmo os celulares. Hoje, cada vez mais cedo as crianças entram no universo digital e, muitas vezes, sabem manusear os aparelhos melhor que os próprios adultos, mas tudo isso tem um peso.

Por conta das novas escolhas que os adultos são levados a tomar, as brincadeiras antigas estão cada vez mais perdidas na sociedade. É raro, se não raríssimo, encontrar uma criança brincando de pipa, peteca, amarelinha, queimada, esconde-esconde, entre outras. Estamos perdendo cultura. Não que os pais não possam escolher de que forma seus filhos possam brincar, mas o que vem acontecendo não permite o poder da escolha e sim, uma imposição devido as circunstâncias. Se as crianças não podem brincar na rua, os pais procuram um meio mais seguro para que isso aconteça e hoje isso se dá dentro dos próprios lares, em um ambiente mais seguro.

Remando contra a maré, e lutando para que a cultura popular não seja esquecida, acontece o Projeto Fazendo Arte, desenvolvido com as mães/acompanhantes da Casa Durval Paiva. O projeto tem dado a oportunidade dessas mulheres desenvolverem brinquedos artesanais como: petecas; bonecas de pano, baladeira, etc. Como também vem oferecendo aulas no seguimento de arte e cultura.

As oficinas de brinquedos artesanais e as aulas sobre arte e cultura vêm possibilitando a construção de conhecimento e respeito à cultura. Esses ensinamentos também perpassam por sentimentos de nostalgia, visto que, essas mulheres estão se envolvendo com tanta intensidade no ato e processo criativo que acabam por desenvolver afeto pelo objeto criado. Essa estima chega a tal ponto que elas já não quererem vender seus produtos, mas ficar com os mesmos, como ocorreu com as bonecas de pano.

É tão maravilhoso, quanto gratificante, ver essas mulheres que passam por situações adversas em virtude do tratamento de seus filhos, voltarem a ser criança, a brincarem com as bonecas que elas próprias produziram, bonecas essas construídas por suas próprias mãos. Vê-las recordando a infância e percebendo como esse tempo era bom, como elas brincavam. Essa vivência tem favorecido um ambiente mais alegre e ameno, como também, vem criando um espaço de mais vivência entre mãe e filho, pois essas mães/acompanhantes acabam mostrando a seus filhos como elas brincavam, favorecendo assim, a disseminação da cultura nordestina.

Como já disse o poeta chileno Pablo Neruda “Criança que não brinca não é criança. Adulto que não brinca perdeu para sempre a criança que existe dentro dele.“. Dessa forma, o resgate da cultura popular através das brincadeiras antigas além de auxiliar na promoção da cidadania e respeito à vida das famílias assistidas pela Casa, tem contribuído para a descoberta de novos talentos, na consolidação de mães artesãs, como também, dá a essas mulheres a oportunidade de relembrarem a doçura dos momentos de infância.

Patrícia Oliveira AraújoArte Educadora – Casa Durval Paiva

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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