Ao saber que um barco com cidadãos do Mali e da Mauritânia chegou ao Pará com 9 corpos, o malinês Mohamed Diallo, de 46 anos, lembrou de conterrâneos que há cerca de 2 meses desapareceram no Oceano Atlântico.
Diallo, que chegou ao Brasil em 2015 e mora em Capinzal (SC), é de Sélifeli, um pequeno povoado na região de Kayes, que faz fronteira com a Mauritânia.
Há cerca de 2 meses, para tentar chegar de barco às Ilhas Canárias – território espanhol próximo da costa da África usado como porta de entrada para a Europa – um grupo de 8 a 10 homens de Sélifel saiu do Mali, que não tem acesso ao mar, para a Mauritânia. Desde então, diz Diallo, não há notícias deles.
“É tudo [da mesma] família, filho de um primo, filho de outro parente”, diz Diallo. “É importante saber [onde estão].”
Ir da Mauritânia às Ilhas Canárias pressupõe navegar, no mínimo, 700 km no Oceano Atlântico e, embora o arquipélago espanhol fique relativamente próximo da costa africana, muitas embarcações – em geral pequenas como a que chegou ao Pará – acabam se perdendo no mar.
“Como eles buscam se afastar do litoral, muitas vezes para fugir até de guardas costeiras de outros países, essas embarcações podem ser capturadas por correntes marítimas”, disse o mestre em relações internacionais pela Universidad Autónoma de Asunción, Antônio Carvalho.
Para a Polícia Federal, a hipótese mais provável é que essa seja a origem do barco encontrado no Pará. A corporação suspeita, ainda, que 25 pessoas estavam no barco – já que foram encontradas 25 capas de chuva e 27 celulares.
“Provavelmente o barco se perdeu ao mar, deve ter pegado uma corrente marítima e chegou ao Brasil. Em 2021, foram localizados sete barcos idênticos com esse. A maioria no Caribe e um deles no Ceará”, disse o superintendente da PF no Pará, José Roberto Peres, na quarta-feira (17).
Segundo a Organização Internacional das Migrações (OIM), braço da Organização das Nações Unidas (ONU), a rota entre África e Europa via Oceano Atlântico é uma das mais mortais do mundo. Em 2022, 543 migrantes morreram ou desapareceram nessa jornada.
Até a publicação desta reportagem, a Polícia Federal ainda não havia divulgado a identidade de nenhum dos 9 corpos encontrados no Brasil.
A possibilidade de que algum conhecido esteja entre eles, entretanto, levou a comunidade malinesa no Brasil a procurar a embaixada do país para tentar saber quem são os mortos.
“A notícia tocou a todos nós”, disse o administrador contábil Adama Konate, porta-voz da comunidade malinesa no Brasil.
Procurada pelo g1, a Embaixada do Mali no Brasil informou que ainda não tem informações sobre o caso.
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