Atire o primeiro copo…

Ana Luiza Rabelo Spencer

Atire o primeiro copo…

…quem nunca teve problemas causados pelo álcool.

Hoje em dia, falar de forma banal sobre os males ocasionados pela ingestão de bebidas é comum. Brigas, desentendimentos e acidentes fazem parte da maioria dos repertórios e, muitas vezes, não têm mais o objetivo de alertar, apenas de distrair. A ingestão demasiada de bebidas alcoólicas chega a ser estimulada em certas rodas. Os pais, esquecendo-se que são o espelho da geração futura, tornam-se “amigos de mesa” dos filhos, guardando os bons conselhos e dividindo as garrafas. Os filhos, por terem o exemplo e, sobretudo, o aval dos pais, tratam levianamente as consequências que podem advir da bebida.

Costumamos ignorar a voz da consciência e nos deixamos levar por impulsos. Esquecemos a prudência em nome de tolices e somos vencidos pelo apelo da “moda”, de ser ou parecer “maneiro” e “pra frente” sem analisar que, de fato, estamos sendo imprudentes e inconsequentes. O clamor do momento pode nublar a visão do que é real e nos permitir agir de forma que trará arrependimento por toda uma vida.

Afogamos a prudência em alguns copos e matamos muito mais que princípios. Aderimos à “farra” generalizada das concessões etílicas e proibimos a entrada do bom senso. De nada adianta a “ressaca moral” depois que o mal está feito. Pedir desculpas, tentar remediar são remendos pobres, póstumos e, constantemente, improlíficos.

A capa de sanidade, a educação e o sentido de sociedade que possuímos são destituídos ao primeiro gole e o que parecia engraçado pode terminar em arrependimento e tragédia. Não é lenda urbana a história de que uma pessoa boníssima saiu de casa para comemorar um acontecimento qualquer e voltou com o peso de um acidente grave ou fatal para carregar nas costas por toda vida.

Todas as gerações costumam dar à sociedade uma contribuição, e a maior contribuição que todos podemos dar ao futuro da humanidade é ensinar que “legal, maneiro e pra frente” é ter consciência de todos os nossos atos, é passar pela vida deixando lembranças boas e lições, é ensinar aos nossos “pupilos” a importância e as consequências de tudo o que nós fazemos. E é, sobretudo, entender que a alegria não precisa de estimulantes. Decidimos “esquecer” que bebida é uma droga e que somos todos contra as drogas. Então vamos seguir a nova onda integralmente, sem “passar a mão na cabeça”, pois, como dizem por aí, “o maior barato é ser careta”.

Se somos humanos porque somos capazes de raciocinar, não podemos ocultar essa dádiva. Não podemos permitir nossa transformação em animais e o único remédio contra isso é pensar. Em cada ato, em cada passo e em cada palavra proferida, de hoje em diante.

Ana Luiza Rabelo Spencer, Advogada (rabelospencer@ymail.com)

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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