AS TRAGÉDIAS DA VIDA – Josoniel Fonsêca

AS TRAGÉDIAS DA VIDA –

O mundo assiste e sofre, perplexo e chocado, a tragédia da Pandemia do Novo Corona vírus ou COVID-19, que o invadiu nos últimos meses, com o saldo estarrecedor de infectados e mortos. É uma das mais devastadores tragédias da história humana. Sobre a Pandemia, muitas pessoas têm se manifestado: uns dizem que é uma prova; outros dizem ser castigo de Deus. Seja como for, uma coisa, porém, é certa: a mente humana não pode compreender por que e como Deus atua em determinadas ocasiões, nem o porquê desta fúria avassaladora de agora.

Afastemo-nos por um instante do problema geral e o apliquemos à nossa vida individual, procurando tirar dele algum proveito espiritual. Será verdade que muitas vezes é necessária uma tragédia que desperte e sacuda os alicerces do espírito? Muitas vezes o homem precisa sentir remover-se a terra de sua alma para que possa nela germinar a sementeira. Muitas vezes o coração necessita de um estremecimento, um movimento interno que o obrigue a sair da letargia. E, quantas pessoas haverá, nestes momentos, que jamais pensaram em Deus e que agora estão clamando a Ele? Será que é porque necessitam sofrer para buscarem a Deus? O homem é propenso a isso e muitos cristãos também o são.

Disse Victor Hugo: “A Deus vemos melhor através das lágrimas”. O sofrimento pode, talvez, afastar alguns de Deus, mas a maioria tende a chegar-se a Ele. O sofrimento pode trazer muitas bênçãos e bendita é a dor que leva uma alma a aproximar-se de Deus.

Na escuridão podemos perceber melhor um raio de luz. Embora as trevas nos cerquem, seus raios são mais luminosos. O sofrimento, então, deve ser um meio de vermos com mais claridade o Senhor da Vida. A noite da angústia permitirá que vejamos Sua luz mais nítida e refulgente ainda. Também as estrelas se vêem ao anoitecer. À medida que vai escurecendo vão se tornando mais brilhantes e belas. Por isso, mesmo a negrura de uma dor intensa, deve ser uma oportunidade para a nossa alma ascender-se e esforçar-se, para, na escala da elevação, experimentar a vida nas mãos do Onipotente.

Do tronco da mesma morte, pode surgir a vida. Recordemos de que no Gólgota sombrio se alçou triunfante a Cruz vitoriosa. Assim, quando nos virmos rodeados de miséria e escuridão, pensemos seja, talvez, o meio que Deus está utilizando para nos aproximar dEle. Ao fazer em ruínas a matéria, quiçá, seja o momento da libertação do espírito.

Não nos perturbemos com esses dias maus, subamos com asas como águias, elevemos os nossos olhos para os montes, pois se não elevarmos os olhos jamais veremos o brilho das estrelas.

 

 

Josoniel Fonseca – Advogado, professor universitário e membro da Academia de Letras Jurídicas do Rio Grande do Norte – ALEJURN – josonielfonseca@uol.com.br

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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