AS GUERRAS DO BRASIL –

 Num momento em que somente se fala em guerra pelo mundo afora, bateu-me a curiosidade de conferir as guerras e as revoluções que marcaram a existência de nossa nação. O Brasil participou de diversos conflitos armados ao longo de sua história – império e república -, tanto em embates externos quanto internos.

Dentre os externos destacam-se a Guerra da Independência, a Guerra da Cisplatina, a Guerra do Paraguai e a Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Na conta dos conflitos internos aparecem a Guerra dos Mascates, a Guerra dos Emboabas, a Guerra dos Palmares e a Cabanagem.

Outra contenda, a mais longa delas, foi a Guerra dos Farrapos, também conhecida como Revolução Farroupilha, ocorrida no Rio Grande do Sul, entre 1835 e 1845, motivada pela insatisfação da elite gaúcha com a política fiscal do Império.

Perdemos, sim, uma batalha, a Guerra da Cisplatina, entre os anos de 1825 e 1828, derrotados por uma aliança formada pela Argentina com o apoio da Inglaterra, visando a região da Cisplatina, que resultou na criação do Uruguai. Eis aí uma das razões pela qual brasileiros e argentinos não morrerem de amor uns pelos outros.

Registro especial deve-se fazer quando se fala da Guerra do Paraguai (1864-1870), considerado o conflito mais sangrento da América Latina. Estima-se que a tríplice aliança – Brasil, Argentina e Uruguai – formada para enfrentar o presidente, Solano Lopez, tenha ceifado 120 mil vidas – 50 mil brasileiros morreram na batalha.

A participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial aconteceu após o afundamento de navios brasileiros pelo Império Alemão. Limitou-se apenas à ajuda aérea e marítima, além de auxílio aos soldados feridos em combate. Não se tem ao certo o número de perdas de vidas brasileiras no conflito.

Já na Segunda Grande Guerra, essa colaboração foi mais efetiva. Pela mesma razão de ter navios afundados pelos alemães, o Brasil declarou guerra aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), em 1942.

Um contingente de 25 mil soldados lutou na Itália e até hoje é lembrada e exaltada a nossa participação em batalhas lendárias, como Monte Castello e Montese. Foram ceifadas 467 vidas em conflitos contra os alemães invasores do país.

Perdemos vidas, sim, em guerras e em revoluções. E nunca se aventou de ser o brasileiro um povo que se acovardou no campo de batalha, muito pelo contrário. São inúmeros os atos de heroísmo perpetrados que embasam tal afirmativa.

Faço essa ressalva porque nunca entendi o significado da alegação de Joaquim Nabuco, político e diplomata brasileiro do século XIX, quando afirmou: “Revolução no Brasil é como casamento na França, não existe derramamento de sangue”.

Longe de nós mais conflitos armados além dos quais já enfrentamos no passado. Já nos bastam as guerrilhas que imperam nas grandes capitais do país, deixando um rastro doloroso de pessoas inocentes vitimadas nos embates permanentes entre policiais e bandidos.

Enquanto isso, ficamos inertes quanto aos assaltos a cofres públicos organizados por gatunos trajando paletós e gravatas, bem diante de nossos narizes, na Guerra da Corrupção. É verdade que não elimina vidas, porém mata toda uma nação de vergonha.

 

 

 

José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro civil

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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