O MEMBRO DE NAPOLEÃO –

Em  5 de maio de 1821 morreu Napoleão, data em que, também, cortaram-lhe o pênis. Amputado horas após sua morte e entregue, numa caixa segundo dizem, ao seu confessor. A amputação teria sido feita pelo médico francês Francesco Antommarchi, um anatomista que pouco entendia de doenças. Foi despachado para ilha de Santa Helena para cuidar da úlcera de estômago que acabou por matá-lo. Também dizem que, irritado, o intempestivo corso o recebeu a cusparadas e insultos.

Embora provável, não está provado que tenha sido ele quem fez a autópsia e subtraiu o orgão genital do ilustre monarca. Na sala estavam presentes dezessete testemunhas, sete médicos ingleses, duas criadas, um padre de nome Vignali e ainda um servo árabe, ali presente, chamado Ali. Existem, portanto, e em princípio, 29 suspeitos. As evidências sugerem que a relíquia tenha passado, ao longo do tempo, de mão em mão a  quem oferecesse mais. O que se sabe de concreto é que em 1972, a Christie’s  tentou leiloá-la. Em vão. O valor mínimo de US$ 2 500, a ninguém interessou.

Entretanto, em 1977, um urologista norte-americano, John Lattimer, professor de Urologia da Universidade de Colúmbia, a adquiriu por US$ 3 800. E a doou ao governo americano que, por sua vez repassou o mimo ao governo Francês. Que declinou da honraria devolvendo-o, criando um bizarro incidente diplomático, publicado na imprensa (inclusive na revista Veja), com repercussão mínima, proporcional ao seu tamanho, meros 2.54 cm.

Aliás, segundo informações à época, teria encolhido, ainda mais, por ação do formol e do tempo. Não que tamanho seja documento. Sedutor de lindas mulheres (mais altas que ele) é bastante  sintomática a constatação do imperador: “na guerra como no amor, é preciso, apenas, proximidade para resolver as coisas”. Afinal , o ponto G dista da entrada da vagina apenas um pouco mais que 1 cm.

Objeto de rituais públicos na antiguidade, porém tratado com enorme discrição no Ocidente patriarcal, pelo menos na cultura oficial, o tamanho do pênis nunca deixou de ser obsessão para muita gente. Herança atávica, a dimensão do sexo sempre causa terror e insegurança no macho. Scott Fitzgerald e Vinicius de Moraes são exemplos notórios.

Se Napoleão tivesse adivinhado o que lhe ocorreria depois de morto, certamente, bem antes, teria passado a colocar a mão direita mais abaixo em seus retratos.  Segundo o Dr. Lattimer, todo esse constrangimento, ao longo dos anos, foi  vingança do Antommarchi. Nada, absolutamente nada, passa em branco em nossa vida. Que loucura!

José DelfinoMédico, poeta e músico

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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