POR UM PROCESSO ELEITORAL VIRTUAL –
Caminhando e pensando, os assuntos se revezam em mil metros rasos, passando o bastão de um para o outro até chegar no processo eleitoral.
Uma rápida análise da coisa como um todo vai revelando algumas doideiras do processo ora em vigência. Exemplo: se eleição significa a escolha a partir do zero de uma nova câmara ou assembleia, como alguns têm mais tempo que outros? Acho isso um absurdo.
Dar mais tempo a partir da representatividade de um partido é sair na frente e um desestímulo a pessoa disputar por uma agremiação pequena. Se é uma eleição para compor um novo parlamento, todos devem ter o mesmo tempo.
O horário eleitoral, pago por nós, está ultrapassado. Quase não revela algo concreto de alguém. As papagaiadas, frases de efeito e produções de marketing são mais fortes que as ideias. Elegemos na verdade mais sabonetes, pizzas e maioneses que cidadãos ou tribunos de vergonha.
Nossa inteligência tem evoluído muito no mundo virtual. Devíamos transferir o universo eleitoral para este espaço.
O TSE criaria uma plataforma onde os candidatos iam expor seus números e pensamentos. Assuntos sugeridos por eleitores seriam colocados e os candidatos fariam exposição de suas posições. Por exemplo, alguém colocaria lá a questão da construção de túneis ligando partes da cidade; edificação e gestão de escolas em parceria público/privada; revisão do plano diretor em alguns bairros. Com a posição dos candidatos, os eleitores ficariam sabendo mais sobre eles.
Sei que pessoas mais carentes teriam dificuldade em acessar, mas no lugar de programas de TV e rádio, o site poderia ser acessado em lugares públicos. Se a pessoa é carente, o mesmo poderia ser feito pela TV ou rádio em casa. E sabemos que hoje todo mundo tem celular e acessa a internet.
O próprio voto podia ser feito a partir do CPF nesta plataforma. Cada eleitor clicaria em seu escolhido, economizando milhões em urnas, pessoas, alimentação, segurança etc.
Enfim, são reflexões que temos e expomos na esperança de que um dia o processo eleitoral seja mais cômodo, barato e eficaz.
Quanto à boa escolha, continuará sendo uma oração, posto que imperfeitos como somos, até os mais “tampa de crush”, como chamamos na brincadeira os mais inteligentes e capazes, podem na hora do voto sufragar alguém por amizade ou pelo time de futebol, deixando de lado a capacidade ou conveniência da pessoa para o bom andamento das coisas coletivas na cidade.
Sigamos no bem e que possamos ter lucidez na escolha dos nossos edis e gestores.
Flávio Rezende – Jornalista e ativista social
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