ERNANI ROSADO SOARES –

Brincava com ele. Você não é só ares; é também rosado. Ria das minhas brincadeiras. Conheci Ernani depois que ele chegou aqui, já formado. “Seu” Messias, pai dele, foi quem nos apresentou. Messias era amigo de meu pai, e quase sempre passava na nossa firma para bater um papo. Fizemos uma boa amizade e quando o filho chegou fez questão de nos apresentar. Dizia: você e Ernani têm muito coisa em comum. E ambos falam inglês. Isso aconteceu por volta de cinquenta anos atrás e desde então nos tornamos amigos de infância. Ernani gostava de contar essa história.

Durante muito tempo, formamos um grupo coeso, sempre reunidos nos finais de semana, em conversas que, além de intermináveis, eram sobremodo agradáveis. Odilon Garcia, Alvamar Furtado, Araken Pinto, Eudes Moura, Cláudio Emerenciano, Gilson Ramalho, Ernani e eu, com as respectivas, sempre nos reuníamos nos fins de semana, paras almoçar ou jantar. De vez em quando, Solónzinho (Sólon Galvão Filho) e Getúlio Sales também apareciam. Muitas vezes, íamos para a casa de um de nós, aos sábados, para um aperitivo preliminar e depois seguíamos para um restaurante. Desnecessário dizer quão agradáveis eram esses nossos encontros. Conversa variada, comentários inteligentes, convivência cordial e afetuosa. Grandes lembranças. Quando falei com Cláudio, ele disse: você observou que, do nosso grupo, só restamos eu, você, Gilson e Solónzinho? Tomei um susto. Todos os demais se foram!

Ernani era uma figura brilhante e com uma experiência de vida muito rica. Seu pai era funcionário do antigo IAPTEC, andou por esse Brasil afora em razão do cargo, e Ernani ficou só para estudar e fazer Medicina. Teve que trabalhar para se sustentar, já que a mesada que recebia não era suficiente. Assim é que se tornou cronista esportivo e locutor.  Dirigiu um programa musical em Fortaleza, e isso o levou a apresentar e comentar as músicas tocadas, o que lhe deu grande conhecimento. Escutava uma música, especialmente brasileira e americana, e sabia o nome, o compositor, a letra e a melodia. Incrível. Memória invejável. Eclético, estava sempre por dentro do que ocorria pelo país e pelo mundo. Foi radioamador, muito cedo começou a usar computador, estava sempre atualizado. Por isso mesmo era um papo imperdível. E foi um grande profissional.

Tinha uma vasta gama de conhecimentos e conversar com ele foi sempre um aprendizado. Nos últimos tempos, quando passamos a nos ver menos pessoalmente, batíamos longos papos ao telefone. Teve problemas com o joelho, em razão de uma queda, e isso diminui sua locomoção. Eu, por minha vez, também saio pouco. A solução era usar o telefone.

Dois ou três dias antes do lançamento de meu livro, em 28/7, telefonei para ele o convidando. Confirmou sua presença na hora e disse da sua alegria em estar comigo nesse dia. Não lhe foi possível, pois internou-se um ou dois dias antes. Não o vi mais, pois sua situação impedia visitas. Falei com ele por telefone algumas vezes, com voz forte e indicativa de recuperação. A doença era mais perversa do que pensávamos, e ele nos deixou, para tristeza nossa. Fica a saudade e a lembrança inesquecível da convivência.

Solidarizo-me com Madalena, Lorena e Herman, esposa e filhos, nessa hora de tristeza. Há a lembrança dos momentos de alegria e convivência amena para os fortalecer.

Dalton Mello de Andrade – Escritor, ex-secretário da Educação do RN

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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