ARCO-DA-VELHA

A calçada da casa de praia na Barra do Cunhaú estava animada. Sessão de conversas amenas de uma noite de verão. Histórias do “Arco da Velha” vinham à tona. Lembranças e saudades das coisas de Nova-Cruz.

Saudade do apito e do barulho do trem, quando a locomotiva Maria Fumaça fazia suas manobras em plena madrugada; saudade do toque do triângulo do vendedor de cavaco chinês; saudade de Seu Anísio, o vendedor de pão, gritando na porta da casa da minha avó, “Olha o pão, dona Júlia!”; saudade da voz do vendedor de copos d’água na feira: “Água doce, fria, gelada, do Piquiri!!!”.

Arco-da-velha é uma expressão usada, quando se quer referir algo de tempos antigos. Trata-se de uma forma reduzida de “Arco da lei velha, em referência ao “Arco-íris”, que, segundo diz a Bíblia Sagrada, no Velho Testamento, Deus teria criado, em sinal da eterna aliança entre ele e os homens, após o dilúvio.

Enquanto conversávamos animadamente, parou na calçada uma nativa muito desbocada, que foi logo puxando conversa:

 -Eu queria ter nascido uma jabuticaba… É a fruta da felicidade. Nasce e vive pregada no tronco da Jabuticabeira, e morre sendo “degustada”. Disse isso e passou, deixando-nos com ar de riso.  

 A Jabuticabeira é uma árvore brasileira, da família Myrtaceae. Originou-se no centro-sul do país, e depois tornou-se conhecida, passando a ser plantada em toda a América do Sul.

Aliás, a Jabuticabeira e o seu fruto fazem parte, agora, do anedotário político brasileiro, como metáfora, em relação ao crescimento econômico do País e à politicalha que se apoderou do Brasil há vários anos. A bandalheira cresceu, igual a uma Jabuticabeira florida, que frutificou assombrosamente e se alastrou pelo país inteiro.

A jabuticaba é uma frutinha negra, muito gostosa. A Jabuticabeira é uma árvore brasileira, da família Myrtaceae. Originou-se no centro-sul do país. Depois propagou-se, passando a ser plantada em toda a América do Sul.

Já existe até um ditado popular que diz:

“Se só existe no Brasil e não é jabuticaba, desconfie”.

O economista Winston Fritsch, um dos formuladores do Real, em 1966, foi categórico: “Quando falam que o Brasil tem alguma coisa diferente dos outros países que não é jabuticaba, então é besteira.” A frase ilustra uma apropriação simbólica frequente da jabuticaba: se o país burlar os padrões do mundo globalizado, acabará mal.

“Jabuticaba do mesmo pé” significa o mesmo ditado: ” É tudo farinha do mesmo saco.”

É característica da Jabuticabeira, o crescimento lento e a rápida velocidade com que da flor surge o fruto maduro (30 dias).

 Mas, as jabuticabas fenecem rapidamente. 

 

 

 

Violante Pimentel – Escritora

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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