AO LEVE SOPRO DA BRISA –
Recebi do meu amigo Marcos Dourado, engenheiro saído da UFRN e radicado no Rio de Janeiro, um exemplar dos rascunhos que o seu pai, Augusto Dourado (1908-1988), quis publicar em vida: “Espero levar brevemente às mãos de Woden Madruga, para ver se a Fundação José Augusto transforma em livro”.
Augusto Gomes Dourado, natalense, autodidata e ávido leitor, conhecido representante comercial, poeta e trovador, conviveu com a intelectualidade boêmia de Natal por quase quatro décadas. Na juventude, ele foi um bom desportista no futebol, no remo e na pesca. Torcia pelo ABC Futebol Clube desde 1922.
Sua narrativa ao Jornal Dois Pontos, de Marcos Aurélio de Sá, em dezembro de 1987, é antológica: “…Tenho saudade da pacatez de Natal – do tempo em que se confiava nas pessoas…”
“Eu vi os seios da Lua / Na janela do horizonte”
“É bem tarde, ando na rua / Despreocupadamente / E olhando o céu, de repente / Eu vi os seios da Lua / Que ebúrnea, diáfana e nua / Debruçada sobre um monte / À espera que alguém lhe conte / Como é que está sendo vista / Na sua pose de artista / Na janela do horizonte”.
Na Revolução de 1935, Augusto Dourado foi preso sem qualquer prova que o incriminasse. Segundo seu depoimento, ele esclareceu: “Quem era cafeísta naquele tempo ficou marcado, sob suspeita…Café Filho não tinha nada de comunista”. Essa detenção lhe custou mais de nove meses de encarceramento em Natal.
“A morte é qual promissória / Que não possui vencimento / E pra ela é maior glória / Cobrá-la a qualquer momento”.
A amizade de Dourado com Café Filho surgiu desde quando ele era líder sindical no bairro das Rocas: “Fui amigo de Café e cheguei a tirar muitas vezes dinheiro do meu próprio salário para ajuda-lo a comprar papel para o jornal que ele imprimia… Para minha absolvição muito contribuiu um discurso que João Café fez na Câmara, mostrando que no Rio Grande do Norte estavam mantendo presas pessoas que nada tinham a ver com o comunismo…”
“Cai a flor do jasmineiro / Ao leve sopro da brisa”
“Sendo antigo jardineiro / Profissão de que me ufano / Sei, pois, que uma vez ao ano / Cai a flor do jasmineiro / Sempre no mês de janeiro / O caule e a coroa frisa / O perfume vaporiza / Desmaia perde a beleza / E entrega-se à natureza / Ao leve sopro da brisa”.
Augusto Dourado casou com Maria Dourado, em 1935, e desse matrimônio nasceram Mário, Vilma, Vânia e Marcos. Sua esposa, a Dama Dourada, foi minha professora, e de muitos de meus contemporâneos, na preparação do exame de admissão para o ginasial. Foi para ela que ele escreveu esta poesia:
“Tu passaste fugaz e majestosa / E eu vi que havia um que de santidade
No teu sublime olhar de castidade / No teu riso de fada venturosa
E como o colibri que suga a rosa / Minh’alma devora sem piedade
O mel do teu sorriso e alacridade / Daquele teu olhar, virgem formosa
Mas, no entanto, fugiste como um sonho / E fiquei só, perplexo, tristonho
A perguntar de mim para mim mesmo / Se porventura havia enlouquecido
Porque, sentia o peito bipartido / E o pensamento a procurar-te a esmo”.
José Narcelio Marques Sousa – É engenheiro civil – jnsousa29@gmail.com
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