ANO POLÍTICO – Roberto Goyano

ANO POLÍTICO –

Após as festas de final de ano iniciamos 2022 com uma carga de problemas monumental.

As perspectivas de especialistas e mesmo de pessoas comuns não são nada animadoras.

Eu mesmo em artigo recente não consegui fazer qualquer prognóstico sobre o ano que inicia muito embora, não sou opinião abalizada para essa aventura.

Sou mais um observador que sofre as consequências de desvirtuamentos políticos, econômicos e sociais.

Estamos carregando um fardo como há muito não ocorria.

Educação está destroçada, inflação ainda em alta, desemprego com taxas absurdas, a política está em seu nível mais baixo tendo um fim em si mesma.

Os embates entre poderes e o aspecto ideológico aprofunda ainda mais a situação caótica que vivemos.

A desigualdade está em muito agravada, a fome que havia sido, se não erradicada , em muito reduzida, retorna com força e nos coloca novamente no contexto.

A economia estagnada.

As mais recentes notícias sobre orçamento são, no mínimo, assustadoras.

O nível de investimentos, já incipiente, é reduzido ao seu nível mais baixo historicamente, e ainda mantem-se mais de 16 bilhões do chamado orçamento secreto e as emendas parlamentares totais ultrapassam 35 bilhões, absurdo! E ainda dá-se o aval para um fundo eleitoral que chega a ser uma afronta: mais de 5 bilhões para financiamento de campanhas, isso sem contar com o repasse do fundo partidário.

Enfim vemos decisões comprometedoras e com objetivo claro das eleições.

É o ano político com eleições majoritárias e uma grande oportunidade de renovação nos poderes executivo e legislativo.

A única coisa importante neste país agora é eleição, qualquer outra preocupação ou necessidade é relegada a um segundo plano o que é um contrassenso.

Pois bem, as noticias e comentários giram, como sempre, em torno dos candidatos já declarados e outros postulantes à função máxima do país: Presidência da República!

Dou relativa importância aos comentários e notícias neste início de pré-campanha. Não vejo de nenhum dos postulantes propostas exequíveis de recuperação da nação que necessita de uma reformulação total.

Talvez ainda seja cedo para isso porém, não me iludo quanto a propostas desse time que está na ponta das pesquisas.

Uma terceira via, apesar de viável e, na minha opinião necessária, ainda não reúne musculatura política para ascender aos atuais postulantes, espero que isso ocorra, mas também não tenho grandes esperanças.

Vamos aparentemente permanecer na discussão entre esquerda e direita e em seus extremos o que é preocupante.

Uma volta ao passado ou um futuro previsível e obscuro.

Para esse cargo máximo espero ter melhores alternativas.

Não há muito a fazer é um ano eleitoral atípico com prenúncios de beligerância na campanha e, sabe lá, se não teremos novidades após os resultados.

Apesar de tudo minha preocupação maior é a mesma desde outras eleições majoritárias.

Não vejo a população envolvida com o que reputo mais importante até que a presidência, os postulantes a renovação dos mandatos no Congresso Nacional.

Temos hoje uma classe política de péssima qualidade, fisiológica, corporativa, sem qualquer comprometimento com as necessidades da nação.

Uma verdadeira horda!

Parlamentares envolvidos em interesses menores e beneficiando a si próprios e apadrinhados em currais eleitorais torrando dinheiro público sem qualquer análise criteriosa.

Um congresso comprado por verbas para garantir apoio político que, hoje, efetivamente tomou posse do executivo.

Comanda mais de 50% da verba disponível para investimento.

Sobrepõe-se ao ministério da economia, impõe sua vontade independentemente de avaliação técnica em suas propostas.

Em privatizações aprovadas agrega coisas que nada tem a ver com o objeto em questão dificultando e criando problemas futuros que serão de difícil resolução.

Com esses postulantes disputando novos mandatos preocupa-me que a imprensa e os analistas se abstenham de fazer uma radiografia detalhada do que está em jogo.

Críticas raras e superficiais a essa postulação vez ou outra aparecem quase no rodapé.

Tenho chamado incansavelmente a atenção para as eleições parlamentares sem encontrar o eco que gostaria.

Com o sistema político brasileiro, sem apoio, nenhum presidente exercerá seu mandato dentro do que se propões a fazer.

Temos um momento único para fazer a mudança que necessitamos, colocar pessoas com ideais e ideias exequíveis e que vão de encontro às necessidades do país.

Educação, saúde e redução da imensa desigualdade é mandatório, criar oportunidades e gerar empregos ainda que tenhamos que rever a questão dívida/PIB.

Já me coloquei sobre esse assunto em outras oportunidades, não acredito num orçamento engessado, não acredito em estabilidade para funcionários públicos.

Assim como Raul Velloso sou mais a favor de se ter metas de endividamento e critérios claros de investimentos públicos.

Temos na mão, mais uma vez, a oportunidade de colocarmos pessoas capazes e com propostas no Congresso Nacional.

Pessoas que não são servis a mercados ou grupos de interesses menores.

Enfim, volto a chamar a atenção da mídia como um todo, dos analistas, das pessoas com discernimento político, daquelas pessoas e grupos de trabalho que pensam um Brasil melhor.

É preciso pensar o Congresso Nacional, é necessário que se dê a importância devida a essa eleição que hoje foca apenas os candidatos à Presidência da República.

Mais uma vez, o ano é político, será um ano difícil, talvez dos mais difíceis dos últimos tempos.

Ao mesmo tempo é um ano de oportunidade de mudanças, de retomada do curso da nação, talvez o ano da redenção.

Não nos esqueçamos que as consequências serão sentidas por nós eleitores.

 

 

 

 

 

 

Roberto Goyano – Engenheiro

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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