ANÁLISE: CONFLITO ESTADOS UNIDOS E IRÃ –
2020 começa com perspectivas “otimistas” para o término da guerra comercial dos Estados Unidos com a China e o “pessimismo” do risco de novo conflito mundial, pela decisão do presidente Donald Trump de autorizar o assassinato do poderoso general iraniano Qasem Soleimani.
Para melhor compreensão do acirrado conflito atual, impõe-se menção às origens da rivalidade entre os dois países.
Tudo começou em 1953, quando a CIA (Agência de Inteligência dos Estados Unidos), estimulada pelo Reino Unido, articulou a derrubada do primeiro governante do Irã, eleito pela via democrática, Mohamed Mossadeq.
A intervenção possibilitou a restauração da monarquia no país e ascensão do xá Mohamed Reza Pahlevi, que se tornou o maior aliado de Washington, no Oriente Médio. A principal causa foi obter o domínio do petróleo, até então explorado pelos ingleses.
Durante 26 anos, a íntima parceria dos Estados Unidos e a monarquia do Irã possibilitou rígido controle do óleo iraniano e de outras nações no Golfo Pérsico, atraindo, inclusive, interesses do Reino Unido, Holanda e França, com divisão, em partes iguais, da produção extraída.
Esse contexto econômico gerou fortes reações políticas no Irã, favoráveis à estatização do petróleo nativo. Comandou a chamada Revolução Islâmica, o líder religioso Ruhollah Musavi Khomeini, forçado a exilar-se (1964) no Iraque e na França. Ele acusava o Xá Reza Pahlevi de vender o país aos Estados Unidos.
Em abril de 1979, após revolta popular seguida de referendo, nasceu a República Islâmica do Irã, com a queda da monarquia. A tensão com os Estados Unidos agravou-se, face a tomada da embaixada americana em Teerã (novembro de 1979), que durou 444 dias.
Uma das contradições de Trump, ao ordenar o ataque ao aeroporto de Bagdá, está na condenação feita por ele em 2011, quando acusou Barack Obama de indiretamente declarar guerra ao Irã.
À época disse Trump: “Nosso presidente [Obama] vai começar uma guerra contra o Irã porque ele não tem absolutamente qualquer habilidade para negociar. Ele é fraco e ineficiente. Então, eu acredito que ele vai atacar o Irã algum tempo antes da eleição porque ele acha que esse é o único jeito de ser eleito. Não é patético? ”
A história mostra que Obama não atacou o Irã, mas Trump o fez, na hora em que busca desesperadamente a sua reeleição e responde impeachment no Congresso.
Será que essa estratégia o beneficiará na luta eleitoral deste ano?
Fatos históricos semelhantes já ocorreram. Bush em 2004 capitalizou a “guerra contra o Terror”, com as invasões no Afeganistão e no Iraque, após ataques de 11 de setembro de 2001. O democrata Bill Clinton ordenou o bombardeio de Belgrado, na Sérvia, como uma ação humanitária em favor da etnia albanesa. Há mais tempo, em 1864, o comando da guerra civil americana facilitou que Abraham Lincoln fosse o primeiro presidente dos Estados Unidos reeleito.
Em contraponto, Richard Nixon fracassou pelo envolvimento na Guerra do Vietnã. Tradicionalmente, a população americana sempre rejeita a guerra.
Em 2020, mesmo com o nacionalismo aguçado por Trump, poderá prevalecer o instinto da sobrevivência. Pesquisa recente mostra que apenas 8% acha que o ataque reduzirá as tensões. Já 47% contra 32% considera que Trump não é capaz de conduzir as tensões daqui para frente.
Por fim, um dado a ponderar: terá sido legal a decisão de Trump?
Tudo se cinge a considerar o ato presidencial como uma declaração de guerra, o que parece ter sido. Em tais circunstancias, caberia invocar o artigo I, seção 8, línea “11” da Constituição Americana, que exige claramente a aprovação do Congresso.
Todavia, o direito constitucional norte-americano permite interpretações diversas, o que enseja alterações de compreensão do conceito dos seus próprios princípios.
Numa nação democrática como os Estados Unidos teria sido de bom tom a consulta presidencial ao Congresso, em caráter sigiloso, o que aplicaria o princípio dos checks and balances, originário da Carta Americana, que consiste na limitação do poder pelo poder, em processo de mutua fiscalização e maior legitimidade para os atos praticados.
De todo o ocorrido, a conclusão é que a preservação do acordo nuclear, assinado com o Irã em 2015, evitaria o risco de nova Guerra Mundial.
Afinal, o “ato de Paz” não foi conquista isolada de Obama, mas das potências mundiais que o firmaram, como Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha, após anos de difíceis negociações.
O Acordo perdurou quase três anos.
Em maio de 2018, o presidente Donald Trump, de forma inconsequente e imprevisível, simplesmente decidiu rompê-lo. Agora, a humanidade corre o risco de pagar oneroso preço, por esse ato insano e tresloucado.
Ney Lopes – jornalista, advogado, ex-deputado federal; ex-presidente do Parlamento Latino-Americano, procurador federal – nl@neylopes.com.br – blogdoneylopes.com.br
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