AMOR DE MÃE – Alberto Rostand Lanverly

AMOR DE MÃE –

Na última vez em que estive em Caicó, como de costume, iniciei a visita pelo cemitério da cidade, onde estão meus ancestrais mais longínquos, e ali, caminhando entre lápides que guardam histórias silenciadas pelo tempo, meus olhos foram atraídos por um túmulo singelo. Sobre ele, inscrição que me desarmou: “Ele teve uma vida perfeita.”

A data gravada, indicava que aquele pequeno ser, vivera pouco mais de setenta e duas horas. Apenas três dias… O suficiente para um nome, mas talvez não para um futuro. Parei no local e fiquei refletindo sobre o significado da frase. Como poderia ter sido uma vida perfeita se durou tão pouco?

Então, compreendi. Perfeita não porque foi longa, mas por haver sido vivida no colo de quem o amou sem reservas. Talvez aquele bebê só tenha conhecido um mundo de calor e segurança, onde o único som era o batimento do coração materno, onde o único toque era o das mãos delicadas que o embalavam, onde o único sentimento era o amor absoluto e incondicional.

Ele não viu a dor, não conheceu o medo, não enfrentou desilusões. Apenas existiu, envolto no afeto puro de quem o gerou. Se a perfeição é a ausência de sofrimento e a plenitude do amor, então sim, sua curta jornada foi perfeita.

Segui meu caminho em busca da moradia de meus parentes, mas aquela inscrição permaneceu comigo, e na tentativa de entender seu significado, encontrei mais perguntas do que respostas. Portanto talvez seja exatamente esse o mistério da vida: não sua duração, mas a intensidade com que é sentida.

Deixei o local carregando uma lição silenciosa: a perfeição de uma vida prende-se, não ao tempo que dura, mas na energia com que é sentida, assim, quando buscamos uma referência para nosso existir, encontramos no amor materno a expressão mais pura desse ideal – uma presença que ilumina, acalma e eterniza-se nos corações daqueles que como eu, tiveram o privilégio de desfrutar.

A mãe sente antes mesmo de ouvir, compreende primeiro que se fale, acolhe antes que a dor se manifeste, pois, sua presença não precisa ser anunciada, se faz perceber no calor de um olhar, no toque que dissipa temores, na intuição que antecipa necessidades. Beijos em Marlene Lanverly e todas as mães do mundo.

 

 

 

 

Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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