ALTERAÇÕES BUCAIS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS COM SÍNDROME DE DOWN – Anna Letícia Lima

ALTERAÇÕES BUCAIS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS COM SÍNDROME DE DOWN –

A Síndrome de Down é uma alteração cromossômica, caracterizada essencialmente, por atraso no desenvolvimento, tanto nas funções motoras, quanto na linguagem, com graus variáveis de retardo mental.

Crianças com Síndrome de Down apresentam risco de dez a trinta vezes incidência maior para desenvolver Leucemia do que outras crianças em geral. A faixa etária de prevalência é entre o nascimento até os cinco anos de idade. Nos três primeiros anos, a Leucemia Mieloide é a mais comum, depois dos três anos de idade, aproximadamente, 80% são casos de Leucemia Linfocítica ou Linfoide.

Leucemia é o câncer das células sanguíneas, normalmente os glóbulos brancos. Através de estudos genéticos relacionados a sequência e alterações sofridas no cromossomo 21 da Síndrome de Down encontramos explicações que sugerem a predisposição aumentada às doenças hematológicas nesse grupo.

Portadores de Síndrome de Down são considerados, na odontologia, pacientes especiais que necessitam de um atendimento diferenciado, apresentando várias alterações bucais, como: lábios fissurados, mandíbula e cavidade oral pequena, língua fissurada, palato duro menor e de forma ogival, bem como fenda labial e palatina.

Também são encontradas alterações oclusais, além de bruxismo e macroglossia (língua aumentada) decorrente de hipotonia lingual, retardo no nascimento dos dentes, principalmente de leite e alterações na forma, tamanho e número de dentes.

O fluxo salivar de pacientes com Síndrome de Down é, em média, 50% menor do que em crianças normais. Esta redução está vinculada, preferencialmente, ao metabolismo da glândula parótida. Por restrição motora ou mesmo por falta de motivação e orientação profissional, muitos pacientes apresentam precária higiene oral.

Segundo a Academia Americana de Odontopediatria, a prestação de cuidados dentários a crianças com necessidades especiais de saúde exige conhecimentos especializados, uma maior consciência, sensibilidade, atenção e também instalações adequadas.

O tratamento odontológico ao especial deve iniciar o mais breve possível, desde os primeiros meses de vida, pois é um momento no qual o dentista tem a oportunidade de intervir numa fase de grandes alterações de crescimento e desenvolvimento, quando a criança ainda está desdentada ou mesmo na dentição decídua, sendo preconizada a orientação dos pais referente aos riscos patológicos e a importância de evita-las de maneira precoce.

A Casa Durval Paiva dispõe de atendimento odontológico ambulatorial e hospitalar diferenciado aos pacientes oncológicos portadores de necessidades especiais. O setor procura atendê-los de forma a garantir prevenção, promoção e manutenção em saúde bucal. Alguns cuidados são priorizados, tais como: uma anamnese cuidadosa com o objetivo de compreender e interpretar as condições de ordem geral e comportamental da criança, assim como obter um diagnóstico preciso, e então traçar um plano de tratamento adequado.

Nesse contexto, se faz necessário a utilização do reforço positivo, quando parabenizamos a criança por estar cuidando de sua saúde bucal, por exemplo; atendimento pontual; consultas curtas; bem como atenção às formas de expressão, gestos e reações do paciente.

 

 

 

Anna Letícia Lima  – Dentista da Casa Durval Paiva , CRO/RN 5213

As opiniões emitidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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