ALFREDO MESQUITA, MAÇOM –
Na multiplicidade das atividades de homem público e agropecuarista desenvolvidas por Alfredo Mesquita Filho ao longo de sua vida, desponta a de maçom da Loja Filhos da Fé em Natal. No ensejo do transcurso do seu nascimento (23/05/1901), torna-se necessário enfatizar esse perfil desconhecido por muitos talvez até pelas próprias Lojas Co-irmãs.
O seu ingresso na Loja foi proposto em 06 de agosto de 1926 e aceito em 12 de setembro do mesmo ano, com idade, portanto, de 26 anos. Iniciado no mesmo mês, tornou-se aprendiz em outubro, companheiro em janeiro de 1927 e mestre em fevereiro. Em 04 de maio de 1927, evoluiu para o grau 18, chegando a grau 30 (Cavalheiro de Cadoche) em 21 de março de 1939.
Nos anos vinte e trinta conviveram com Alfredo Mesquita na loja 21 de Março os seguintes macaibense ilustres: Luiz Curcio Marinho, comerciante e posteriormente prefeito de Macaíba; Torquato Justino de Souza, comerciante; Olimpio José Maciel, empresário e comerciante, figura respeitável e querida da cidade; Almir Freire, ex-prefeito de Macaíba e filho do líder político Manoel Mauricio Freire; José Jorge Maciel, filho de Olimpio, médico e futuro çrefeito de Macaíba nos anos cinquenta. Posteriormente, outros destacados macaibenses passaram igualmente pela Loja 21 de Março; José Pinto Freire, Asteclides Xavier Marinho, João Leiros Filho, Jose Lira da Silva, Cornélio Leite Filho, João Santiago de Oliveira, Pedro Cavalcante Sobrinho e Salustiano Cacho Neto.
Segundo Apolônio Lima, que conviveu longo tempo com o meu pai, no seu depoimento “Recordação de Um Grande Amigo” para o meu livro “Macaíba de Seu Mesquita – 1981” (Editora Clima) se referiu ao amigo como maçom realçando-o através da seguinte citação: “Era maçom, grau 30º da Loja “21 de Março”. “Ninguém, amigos ou adversários políticos procurou-o na hora da necessidade, sem que, na medida do possível, fossem satisfeitas as suas pretensões, sem cobrar nada pelo favor prestado. “O verdadeiro benfeitor é aquele que na hora da desgraça, vem, ajuda e passa”. Este episódio, eu me lembro como se houvesse acontecido hoje”.
“Havia um homem chamado Jesuíno que falava às escondidas de Mesquita um dia ele precisou de um grande favor do mesmo e se acanhou de falar-lhe pessoalmente e o fez por intermédio de Manoel Alves da Costa. Mesquita mandou dizer ao mesmo que viesse a ele que seria satisfeita a sua pretensão. Depois de fazer o que o mesmo pediu, este desmanchou-se em oferecimentos e agradecimentos. Mesquita lhe disse: “Pediria apenas isso. Não quero nada, a não ser que o senhor fale de mim se houver razão”.
Esse era o traço principal de sua personalidade: a caridade. E ele, ao lado de outros maçons, socorreram muitos lares pobres colocando, anonimamente, envelopes por baixo das portas, quando sabiam que uma família passava privações. Gesto raro. Difícil hoje em dia. O lado maçônico que não podia ficar oculto, revela-se hoje porque ele também predominou em todas as outra atividades que exerceu.
Valério Mesquita – Escritor, Membro da Academia Macaibense de Letras, Academia Norte-Riograndense de letras e do Conselho Estadual de Cultura e do IHGRN– mesquita.valerio@gmail.com
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