ACARI: ONDE A GRATIDÃO ENCONTRA A FÉ – Alberto Rostand Lanverly

ACARI: ONDE A GRATIDÃO ENCONTRA A FÉ –

Há momentos em que a vida suspende o fluxo tranquilo dos dias e nos conduz, quase em silêncio, por veredas que jamais ousamos imaginar. São jornadas íntimas, onde a dor e a esperança caminham lado a lado, e onde se revela, com intensidade quase palpável, que a fé possui uma força que ultrapassa os limites do visível e toca o invisível com delicadeza e poder.

Foi assim quando Arthur, meu neto, enfrentou severo problema de saúde, e hoje, plenamente restabelecido, sua cura permanece, para nossa família, como uma das mais belas manifestações da misericórdia divina.

Naqueles dias de incerteza, descobrimos a força da oração. Amigos, familiares e até desconhecidos formaram uma silenciosa corrente de fé, sustentando-nos em cada instante. Entre tantas mãos estendidas, surgiu a indicação de confiar Arthur à proteção de Nossa Senhora da Guia, padroeira de Acari no interior potiguar. Desde então, seu nome passou a iluminar nossas preces.

Com a graça alcançada, Ana, minha companheira de vida, e eu sentimos que agradecer era mais que um dever: era um chamado da alma. Após quase nove horas de viagem, chegamos à Basílica Menor de Nossa Senhora da Guia.

Entramos como simples peregrinos e fomos acolhidos com a naturalidade reservada aos filhos de Deus. Mais do que a beleza da igreja, impressionou-nos a paz que habita aquele lugar e a hospitalidade de quem nos aguardava, cuja fé se revela na simplicidade dos gestos.

Enquanto rezava, compreendi que Deus costuma falar no silêncio: na serenidade de um templo, na mão estendida de um desconhecido e na paz que invade o coração quando as palavras já não são necessárias.

Deixei Acari levando mais do que a lembrança de uma cidade encantadora. Trouxe a certeza de que o Seridó do Rio Grande do Norte, abriga uma espiritualidade rara, alimentada pela fé de seu povo e pelo exemplo de homens como Francisco Canindé, Monsenhor Flávio e Dom Eugênio Sales.

Percebi, então, que a verdadeira peregrinação não terminava na basílica. Seu destino era o reencontro com a gratidão, esse lugar onde a alma reconhece o milagre da vida. Porque agradecer também é uma forma de rezar. Talvez, a mais bela de todas.

 

 

 

Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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