A VIDA NÃO EXIGE QUE SEJAMOS INVENCÍVEIS – Raimundo Mendes Alves

A VIDA NÃO EXIGE QUE SEJAMOS INVENCÍVEIS –

A vida não pede que você carregue mais do que pode. Também não exige que seja forte o tempo inteiro, que esconda as lágrimas ou que atravesse todas as tempestades sem sentir medo.

A vida simplesmente acontece. E, enquanto acontece, coloca diante de nós caminhos que nem sempre escolhemos, perdas que não esperávamos, decepções que não merecíamos e dificuldades para as quais, muitas vezes, achávamos que não estávamos preparados.

Talvez esteja justamente aí uma das maiores lições da existência: viver não é nunca cair; viver é descobrir que ainda podemos nos levantar.

Há quedas que deixam apenas pequenos arranhões. Outras deixam cicatrizes profundas. Algumas mudam nossos planos, afastam pessoas, encerram ciclos e nos obrigam a reconstruir aquilo que imaginávamos definitivo. Mas nenhuma queda precisa representar o fim da caminhada.

Às vezes, levantar não significa voltar a ser exatamente quem éramos. Significa levantar diferente: mais consciente, mais prudente, talvez mais silencioso, mas também mais experiente.

Com o passar dos anos, percebemos que força não é carregar o mundo inteiro sobre os ombros. Força também é reconhecer o próprio limite. É saber descansar sem desistir, chorar sem perder a esperança, pedir ajuda quando necessário e compreender que diminuir o passo não significa abandonar o caminho.

Existem momentos em que avançar será correr. Em outros, será caminhar. E haverá dias em que nossa maior vitória será simplesmente conseguir ficar de pé.

A vida não contabiliza apenas quantas vezes vencemos. Ela também é feita das vezes em que quase desistimos e, mesmo cansados, encontramos dentro de nós uma pequena razão para continuar.

Por isso, quando cair, não tenha vergonha do chão. O chão também ensina. Observe o que aconteceu, recolha os pedaços que ainda lhe pertencem, deixe para trás aquilo que já não precisa carregar e levante-se no seu tempo.

Porque talvez a grandeza da vida não esteja em atravessá-la sem feridas, mas em chegar adiante podendo olhar para trás e dizer:

“Eu caí algumas vezes. Chorei em muitas delas. Pensei que não conseguiria em outras tantas. Mas levantei. E continuei.”

No final, coragem não é nunca sentir o peso da caminhada.

Coragem é não permitir que esse peso nos faça esquecer que ainda existe caminho pela frente.

Natal/RN, 17 de agosto de 2026

 

 

Raimundo Mendes Alves – Advogado, Procurador Aposentado

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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