A QUARENTENA E O COMPORTAMENTO MENTAL – Berilo de Castro

A QUARENTENA E O COMPORTAMENTO MENTAL –

Lá se vão mais de cento e sessenta dias de quarentena.

Os afazeres do cotidiano tomaram um novo rumo com a pandemia, evidentemente, em decorrência do isolamento social. Particularmente para aqueles que estavam habituados a sua rotina do dia a dia.

No geral, os que  mais vêm sentindo e sofrendo são os  idosos (grupo de risco), que tiveram de permanecer “enquartelados” em suas residências; fato que realmente vem mexendo muito com o seu comportamento emocional, condição própria de pessoas possuidoras  fisiologicamente de rebaixamento de sua higidez mental.

A permanência  prolongada, associada à falta de ocupação, tem levado a esse  grupo de pessoas problemas psicológicos com resultados nefastos e preocupantes. Principalmente para aqueles que estão confinados em pequenos  espaços, sem contar com nenhuma atividade que lhes possa ocupar o vazio do  tempo; além dos parcos recursos de sobrevivência.

Lembrando também dos problemas advindos da própria longa permanência com os familiares, aqueles poucos que ainda podem conviver de perto (as esposas); instantes em que começam a surgir discussões e mais discussões por motivos tolos, insignificantes, que só aumentam  e pioram o relacionamento familiar e o divino ambiente caseiro.

Momento que tem sido observado um aumento bem expressivo de violência contra a mulher; crescimento do alcoolismo e de estupros de vulneráveis.

Essa situação criada pela pandemia deverá ser bem considerada, estudada e discutida  com muita seriedade  pelas autoridades de saúde pública e, principalmente, na área de assistência social. Caso contrário, ao sairmos da mortal pandemia pelo vírus, entraremos em uma outra, a pandemia  mental, com elevação dos distúrbios psiquiátricos bem contundentes e preocupantes, com a necessidade de uma atenção toda especial para esses pacientes em ambulatórios e hospitais psiquiátricos, , onde  já sabemos da dificuldade e da precariedade que tem a rede de saúde do Estado para recebê-los e tratá-los.

O tempo de demora do confinamento  é diretamente proporcional à piora do estado mental dos confinados.

Com a palavra e a reflexão os órgãos de saúde mental e de assistência social do Estado.

 

 

 

Berilo de Castro – Médico e Escritor,  berilodecastro@hotmail.com.br

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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