A INJÚRIA –

Injúria é a ação de ofender a honra e a dignidade de alguém. Em termos penais, o direito define a injúria como um dos crimes contra a honra, assim como a calúnia e a difamação.

O crime de injúria está previsto no artigo 140 do Código Penal (CP), e a queixa crime por injúria pode gerar condenação, com pena de 1 (um) a 6 (seis) meses de prisão e multa.
Esse caso ocorreu há décadas, numa determinada audiência, quando o Juiz ouvia o depoimento de uma testemunha de defesa, em processo de crime de injúria.

A acusação, que pesava contra o constituinte de um famoso advogado criminalista de Natal, era a de que o acusado havia chamado o autor da representação de “PEDERASTA”. O autor tratava-se de um conhecido vereador da cidade, candidato à reeleição.

O Ministério Público estava ali representado por uma Promotora de Justiça, no início da carreira, muito séria e cerimoniosa, que demonstrava absoluto respeito aos circunstantes.

O crime de injúria, para ser provado, exigia perguntas indiscretas e respostas claras, no sentido de inocentar o réu. O Juiz começou a ouvir o depoimento de uma testemunha de defesa, empregado de uma mercearia, que tinha pouco estudo. O réu seria inocentado, caso a prova da pederastia de que era portador o autor da representação viesse para o processo.

Mesmo se esforçando, para manter o equilíbrio da seriedade da audiência, o advogado de defesa, com muita ética profissional, fez, através do juiz, a seguinte pergunta:
-Pergunto à testemunha se pode informar se o autor da ação demonstra “trejeitos” nos seus costumes de homem honrado ou algum gesto efeminado?

Imediatamente, a testemunha respondeu:

-Doutor, eu não entendo essas palavras difíceis que o senhor falou. Mas, mesmo assim, doutor, pela maneira e o tom da pergunta, posso dizer, com toda a certeza, que o autor da representação, como toda a cidade sabe, realmente, dá o “SEDÉM”.

Diante da inesperada resposta que a testemunha deu ao Juiz, na presença das partes, pairou na sala de audiências um silêncio sepulcral, deixando surpresos todos os participantes daquele ato jurídico.

Esse caso passou a fazer parte do anedotário forense do Rio Grande do Norte.

 

Violante Pimentel – Escritora

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

Caçadores de tempestades registram ‘supercélula’ em Alegrete durante período de temporais no RS

Um grupo de caçadores de tempestades registrou uma supercélula na região de Alegrete, na Fronteira…

26 minutos ago

Por que a roupa lavada fica com mau cheiro se ficar molhada? Um cientista especializado em têxteis explica como resolver isso

Você esquece a roupa lavada na máquina durante a noite e, pela manhã, o cheiro…

38 minutos ago

Saiba como as bets adoeceram e endividaram os brasileiros

“Um grande alívio.” Foi assim que Kaio*, de 42 anos, definiu o sentimento ao ouvir a notícia,…

46 minutos ago

Inmet renova alerta de baixa umidade do ar para 90 cidades do RN

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou um alerta de baixa umidade da cor amarela…

46 minutos ago

Anvisa investiga 13 notificações de doença que causa perda de visão associadas a canetas emagrecedoras

A Anvisa investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia),…

51 minutos ago

Inundações e deslizamentos deixam 56 mortos na Índia e 14 no Nepal

Fortes chuvas e tempestades provocaram inundações e deslizamentos de terra que deixaram 56 mortos na…

52 minutos ago

This website uses cookies.