A GRANDE PEÇA, NO TEATRO DA VIDA1: A MORTE – Maciel Matias

 

A GRANDE PEÇA, NO TEATRO DA VIDA: A MORTE – 

Aurélio Agostinho de Hipona, nasceu em Tagaste, Argelia(354) e morreu em Hipona, Argélia (430) com 75 anos. Aos 33 anos converteu-se ao cristianismo, desenvolvendo uma característica própria à teologia e filosofia agregando e acomodando várias metodologias desconhecidas naquela época.

No momento que estamos vivendo, com a Pandemia do Corona Vírus, a morte passou a ser algo tão frequente como se fossemos soldados na frente de batalha. Nem desertar podemos, não tem como identificar um covarde diante de um fato como esse. Então a morte é algo que não podemos pensar, viver é o foco. É aí que os conceitos da relação de Santo Agostinho com a morte ficam mais evidentes e nos sacode para uma convivência racional e menos sofredora.

Ao perder um grande amigo, Agostinho foi envolvido por uma grande tristeza produzindo um sofrimento que não tinha como fugir. Como acabar? O suicídio seria uma opção? Claro que não. Agostinho percebe que o homem é um ser finito, limitado e que tem que conviver com essa realidade sem esperar por ela. O sofrimento com a morte de alguém muito querido ocorre por ser uma forma errônea de amar, quando ele afirma na sua obra Confissões, “Feliz o que Vos ama, feliz o que ama o amigo e Vós, e o inimigo por amor de Vós”. Agostinho tenta encontrar solução diante daqueles que sofrem com a morte de um ente querido. Não adianta encontrar um sentido para se estar vivo, já que todos somos finitos. Viver é amar a cada dia. É a melhor alternativa para aqueles que se angustiam com o medo da morte. A vida é bela, devemos aproveitá-la aprendendo com ela e assim caminharemos para uma maior longevidade com qualidade.

A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.

Me deem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Por que eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?

Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho…

Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi.”

Com essas reflexões de Santo Agostinho sobre a perda pela morte, conseguimos racionalizar melhor um fato inevitável que todos passaremos nessa grande peça no teatro da vida. Sem direito a reprise. BRAVO, BRAVO …

 

 

 

 

 

Maciel Matias – Médico mastologista, maciel.omatias@gmail.com

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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