A CASA-GRANDE –

Ultimamente tenho visto muita gente falando mal da Casa- grande.  Fui menino de engenho e tenho boas lembranças dela.

Nas décadas de 40/50, éramos crianças. Meu avô dono de um engenho no município de São José de Mipibú. Todos os anos, eu e meus primos, íamos passar as férias escolares por lá.

Lugar bonito, antes de chegarmos à porteira principal da propriedade, do alto de uma acentuada ladeira, o visual era muito bonito, via-se uma grande planície verde, cortada por dois rios, Trairi e Araraí. Mais adiante, em cima de um cerro uma mata fechada conhecida por Mata Quirí, onde nós quando crianças não tínhamos acesso, pois o avô proibia. Fomos conhecer este local já adolescentes. Da porteira da entrada da propriedade, víamos a Casa Grande, do seu lado quase de frente o velho engenho de onde fabricava o açúcar preto, rapadura e a aguardente de cana. Do lado esquerdo ficava as oficinas, onde se faziam pequenos reparos nas ferramentas e engrenagem do engenho, o almoxarifado de peças e ferramentas. Do lado direito, uma pequena igrejinha, construída a pedido de minha avó, onde raramente aparecia um padre para rezar. Vivia fechada, por isto tornava-se moradia de morcegos, que a noite faziam grande barulho. Mas adiante da casa grande ficava o armazém de estocar o açúcar preto, e mais à frente a cocheira onde ficavam o gado,os cavalos e burros.

A Casa-grande era localizada em um grande terreno com várias fruteiras. No quintal, uma cacimba muito profunda, onde tinha um cata-vento que puxava a água que servia a toda propriedade. Rodeada de alpendres, lá éramos felizes, ouvíamos histórias e estórias contadas pela minha avó, que gostava de nos orientar, dando exemplos de fatos verdadeiramente ocorridos, bem como estórias da sua imaginação que era muito fértil.

Na sua vizinhança, as casas dos moradores. Casas simples, construídas de tijolos, rebocadas e todas caiadas na cor branca, banheiro com fossa e sumidouro, com dois quartos, sala,  dando condições de ampliação, havia terreno bastante para isto.

Não vi escravidão, nem serviços desumanos. Eram trabalhos que até hoje, ainda são praticados por trabalhadores rurais, aqueles que vivem da agricultura e da pecuária. ‘

Meu avó era muito rigoroso mas, muito humano. Exigia dos trabalhadores, nas horas de trabalho. Nas horas de lazer, fazia pequenas festas onde todos participavam.

Para mim, foi uma épocas feliz de minha vida.

 

 

 

Guga Coelho Leal – Engenheiro e escritor, membro do IHGRN

As opiniões emitidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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