Wilma, 2016

É natural que a ex-governadora Wilma de Faria, por sua expressiva visibilidade política, tenha fixado a candidatura a vereadora em 2016, mesmo depois de duas derrotas nos últimos quatro anos na busca de conquistar uma cadeira no Senado. Ela sabe muito bem que a posição de vice-prefeita já rendeu o necessário e que agora precisa cuidar de uma bancada do seu partido, PSB, capaz de fazê-la sentar à mesa das negociações políticas em Natal, até alcançar o ano de 2018, da sucessão estadual.

Sabe mais: a decisão do prefeito Carlos Eduardo Alves ao apoiar a candidatura do seu primo Henrique Alves ao governo antecipou o que certamente aconteceria em 2016, caso o PT viesse a ter o apoio do novo governador. Eleito, Robinson fechou a porta nas primeiras horas da vitória ao anunciar a candidatura do deputado Fernando Mineiro a prefeito, ele que conquistou um espaço relevante nas eleições passadas quando não foi ao segundo turno, mas demonstrou desempenho além do esperado.

Esses fatos não desqualificam ou desautorizam a opinião do deputado Hermano Paiva quando afirma que seu partido, o PMDB, não tem compromisso com Carlos Eduardo. Pode não ter hoje uma decisão pública, mas seu nível é elevado de probabilidade. Muito menos provável a essa altura seria acreditar numa candidatura própria, a menos que insistir na solução familiar se apresente até lá como uma provocação ao eleitorado natalense, pouco propenso a aceitar um declarado acordão de família.

Num caso ou noutro, também não seria estrategicamente convincente a insistência de Wilma na posição de continuar vice de Carlos Eduardo em 2016. Além de um baixo rendimento político em matéria de ocupação de espaço e ação, seria imobilizar-se numa expectativa de mandato sem maiores perspectivas. Sua tendência é ser vereadora, erguer uma bancada expressiva na Câmara e manter sua visibilidade, representando para o prefeito eleito, seja quem for, um peso a ser avaliado com justeza.

Mais do que a Wilma, deve preocupar ao prefeito Carlos Eduardo Alves o enfrentamento em 2016, mantidas as condições ideais de uma boa aprovação do Governo Robinson Faria, diante de um eleitorado livre para escolher acima das pressões partidárias. O prefeito abriu mão da sua posição de candidato numa carreira livre e vitoriosa, soprado pelos ventos renovadores na sua aliança com o PT, para voltar a ser candidato de uma oligarquia, com vantagens e desvantagens no eleitorado de Natal.

A candidatura Fernando Mineiro é um fato e prendê-la em excesso à imagem do governo que começa dia primeiro pode não ser uma tarefa fácil. Se o governador Robinson Faria estiver bem nas pesquisas, será um aliado. Se não estiver, os petistas irão às ruas em nome da oposição e a isto nada impedirá. O próprio deputado Fernando Mineiro já tratou de demarcar essa distância crítica ao declarar que Robinson chegou ao governo sem ser refém de ninguém. Nem do PT. Alguma dúvida?

Vicente Serejo – Jornalista e Escritor

Ponto de Vista

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