VIVEMOS NA MENTIRA –
Enquanto me exercitava sintonizei o celular numa emissora onde tocava variados estilos musicais. Eis que calhou uma canção do conjunto Os Originais do Samba, denominada Reunião de Bacana, cujo refrão explorava a seguinte frase: Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão.
Passando, em seguida, para os noticiários matutinos da programação televisiva, recebo na cara a novidade que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner e alguns parentes seus, também estariam envolvidos até o gogó com o dono do banco Master, Daniel Vorcaro.
A matéria dava conta que os investigados haviam recebido a quantia de R$ 3,5 milhões e um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, além de 33 mil euros e US$ 55 mil encontrados em endereços ligados ao senador.
Pouco dias antes, a imprensa comentara viagem do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, a Portugal, em julho de 2024, em jato particular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, na companhia do senador Ciro Nogueira, onde ficaram hospedados em suíte do Hotel Ritz Four Season.
Na investigação denominada Operação Compliance Zero, a Polícia Federal divulgara as investidas de Hugo Motta ao afamado Vorcaro, em março de 2024, pela liberação de empréstimo de R$ 22 milhões para sua cunhada.
Aliando-se essas duas investigações a uma outra anterior onde são tratados envolvimentos de membros do STJ com o dono do Banco Master, então fechou-se o circuito abrangendo os três poderes da República dentro da malha de corrupção de Daniel Vorcaro.
Intuitivamente, imaginei comparar o significado daquele refrão com a situação hoje vivenciado no nosso país, porque impressiona a forma como explodem na imprensa os escândalos políticos relacionados a desvio, lavagem e malversação de dinheiro público, suborno e corrupção de toda ordem e natureza.
Tais procedimentos danosos à nação se tornaram corriqueiros porque estão inseridos no âmago da política brasileira. E mais: mente-se deslavadamente; espalham inverdades com naturalidade chocante; e, sem pestanejar, tentam mostrar justificativas como se falassem para plateias imbecilizadas.
A imprensa, de modo geral, só tem espaço para os escândalos políticos. Resolvi não mais ouvir noticiários que envolvam a campanha presidencial brasileira. Não dá mais para suportar tanta falta de vergonha.
Tenho que ocupar o meu tempo com outras atividades, deixando de lado a televisão, caso contrário ficarei tão contaminado pelos noticiários ao ponto de me convencer que os políticos são os certos e eu o único errado nessa história.
Abro uma revista de forma aleatória, sem qualquer outra pretensão senão a de me distrair, e vejo estampada uma célebre frase de José Saramago, escritor português premiado com o Nobel de Literatura de 1998. Eis a pérola de pensamento que traduz a realidade brasileira:
O tempo das verdades plurais acabou; agora vivemos no tempo da mentira universal. Nunca se mentiu tanto. Vivemos na mentira, todos os dias.
José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro civil
A Copa do Mundo 2026 terá quatro confrontos nesta terça-feira (23), pela segunda rodada dos…
A Polícia Federal (23) está desde cedo nas ruas para cumprir mandados judiciais no âmbito…
A Receita Federal libera nesta terça-feira (23) a consulta ao segundo lote de restituição do…
Natal terá uma nova ligação direta com Buenos Aires, na Argentina, a partir de 15 de dezembro. O…
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, denunciou “delito contra o voto” em suposta fraude na…
O Conselho Nacional de Educação (CNE) alterou diretrizes do ensino integral na educação básica e definiu prazo…
This website uses cookies.