“Obrigado pra todo mundo que torceu. Vitória hoje”, diz o técnico em computação Vinicius de Oliveira, de 31 anos, na gravação feita por seus familiares.
Vinicius recebeu alta neste domingo (15), após ficar oito dias no Hospital Brasil, sete deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ele também passou mal depois de sair da piscina com a esposa, a professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos.
Isso ocorreu em 7 de fevereiro na C4 Gym, na região leste da capital. A mulher morreu no mesmo dia. Câmeras de segurança gravaram o desespero do casal e de outras pessoas que não se sentiram bem depois da atividade na água (veja nesta reportagem).
A suspeita da Polícia Civil é a de que o casal e mais cinco alunos da academia foram intoxicados por cloro. Uma das hipóteses é de que a manipulação inadequada do produto químico, realizada por um manobrista sem qualificação técnica, gerou a liberação de gases tóxicos.
Em seu depoimento, o manobrista Severino José da Silva contou à polícia que limpava o espaço seguindo ordens de um dos sócios da academia da enviadas pelo WhatsApp. O funcionário não foi responsabilizado pela polícia.
O laudo pericial que poderá apontar isso ainda não ficou pronto. Além de Vinicius, outras quatro vítimas tiveram alta recentemente.
Letícia Helena Oliveira, de 29 anos, é uma delas. A mulher deixou o hospital também neste domingo (15) após ficar sete dias internada com os mesmos sintomas após fazer aula de natação na mesma academia. Ela deu entrada no dia 8 de fevereiro: ficou quatro dias na UTI e outros três no quarto.
A C4 Gym foi interditada pela prefeitura. Os três sócios da academia, Cezar Augusto Miguelof Terração e os irmãos Cesar Bertolo Cruz e Celso Bertolo Cruz, foram indiciados pela polícia por homicídio por dolo eventual, quando se assume o risco de causar a morte de alguém. A investigação e o Ministério Público (MP) chegaram a pedir as prisões temporárias deles, mas a Justiça negou.
A decisão é da juíza Paula Marie Konno, da 2ª Vara do Júri, que aplicou medidas cautelares aos empresários, como comparecimento periódico em juízo, proibição de contato com testemunhas e restrição de acesso às imediações da academia.
Segundo a magistrada, a prisão cautelar é a “exceção da exceção” e só deve ser usada quando outras medidas forem insuficientes. A juíza também considerou que o risco às provas está mitigado: a academia está lacrada, houve perícia na água da piscina, e produtos químicos foram apreendidos. O descumprimento das cautelares pode levar à prisão preventiva.
Em nota, a defesa dos sócios afirmou que eles cumprirão fielmente as determinações judiciais e seguem à disposição das autoridades.
Fonte: G1
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