VIRAMUNDO 55 –

Canguaretama e uma cidadezinha ao sul do estado do Rio Grande do Norte cortada pela BR 116, 78km de Natal e de aprazíveis praias.

Ali procura-se moluscos e o principal deles é a Ostra, cultivada e consumida por centenas de pessoas em todo o estado, além de maravilhosos caranguejos.

Dona Adélia, experiente marisqueira, tinha muita vontade de comprar uma casinha na Praia de Cunhaú e montar um restaurante a “Casa da Ostra”. Ela aconselhava comer ostra crua, tratada com sal e limão acompanhada de cerveja bem gelada.

Aumenta o tesão; costumava dizer aos clientes . E parecia verdade. Ela mesma tinha 6 filhos de um único pai, costumava dizer.

O verão em Canguaretama e o malho período do ano com as praias lotadas de turistas.

Jaiminho, o filho mais velho, vinha todo domingo vender Ostras em Ponta Negra caminhando de barraca em barraca oferecendo o produto fresquinho.

Vestido de branco, Jaiminho era jeitoso e elegante. Tudo muito limpo, ele permanecia cerca de 5 horas e vendia tudo.

Voltava feliz no ônibus convencional.

Foi nesse “busão” que conheceu Iraci, morena bonita, cabelos lisos e olhos verdes, um sonho.

Tiveram 3 filhos e foram morar na praia, ao lado do restaurante da mãe.

– Parece que a ostra de hoje tem menos tesão?

– Por que?

– Iraci só teve 3 filhos. A metade dos que sua mãe teve.

– É que agora a gente tem televisão.

Os dias transcorriam normalmente e Joãozinho do supermercado convidou Jaiminho pra instalar um criadouro de camarão de água salgada, do mar.

Arranjou financiamento dó Banco do Nordesta e fez do negócio um grande empreendimento.

Vieram morar em Natal e Iraci se formou em Nutrição pelo Senac.

Montou a Frutos do Mar em Ponta Negra onde o prato principal era Camarão Internacional.

Dos 3 filhos somente Jaiminho Junior trabalhava com eles. Os outros dois se formaram em medicina e direito.

Dona Adélia aumentou “Casa da Ostra” e entregou o comando a filha mais nova Adelina; casada com Salustiano, Cabo da Marinha que vivia viajando.

– Você não sente saudades?

– Sinto, mas eu me distraio no restaurante.

Eles não tinham filhos.

– É a ostra, Adelina, não da mais tesão?

– Da, o problema é dele que só come frutas e legumes. E aí há viu, na?
Família grande e num desses fins de ano, em plena desta de consagração, perguntei a dona Adelia:

– Quem inspirou a senhora nesse negócio?

– Seu Marinho, da Carne de Sol.

 

 

Jaécio Carlos –  Produtor e apresentador dos programas Café da Tarde e Tribuna Livre, para Youtube.

As opiniões emitidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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