VIRAMUNDO 164 –

Zé Raimundo nasceu em Parnamirim, na periferia de Cohabinal, longe de tudo.

Casinha humilde onde a mãe criava galinha e vendia ovos pra sobreviver.

O pai saiu de casa com uma mulher viúva e foram morar em Mossoró trabalhar numa oficina mecânica.

Nunca mais voltou nem deu notícias.

Zé Raimundo vivia catando latinha de cerveja e garrafas de vidro pra vender na reciclagem.

Saia de manhã cedo e passava nos botecos recolhendo as latinhas vazias que ele pedia pro pessoal guardar.

Era trabalhoso amassar uma por uma e colocar num saco grande de farinha de trigo e levava nas costas, andando quilômetros até chegar em casa.

Com o tempo comprou uma bicicleta usada, de um amigo.

Depois trocou por uma novinha e aí a coisa começou a melhorar.

Aumentou o contato com os bares e aos sábados e domingos ia recolhendo latinhas nas barracas das praias.

Ganhava a vida assim, mas nunca deixou de estudar.

Fazia isso de tarde, no Grupo Escolar em Santos Reis.

Estudioso, gostava de matemática e sabia de cor todas as operações e isso facilitava a contabilidade pessoal.

A mãe cuidava muito bem de Zé Raimundo e era exigente não querendo que ele tivesse amizade com a meninada desocupada de Cohabinal.

Um dia Zé chegou em casa com Doralice, uma galerinha colega da escola.

– Zé, vê se não engravida essa menina.

– Que é isso mãe. Somos apenas colas da escola.

– Sim. Começa desse jeito e depois vai se engraçando e fazendo menino.

– Não, mãe. O pai dela é gente boa e eu não vou criar problema com ele.

Dobradiça, a Dorinha de Santos Reis, passou a ajudar Zé na coleta de latinhas e até arrumou um local pra guardar, no quintal de casa.

Zé ficava de Santos Reis pra Cohabinal de bicicleta e aí comprou uma caminhonetazinha da Fiat, tipo strada, pra ajudar no transporte das latinhas até a reciclagem.

Doninha aprendeu a dirigir e melhorou muito o trabalho.

Resolveram morar juntos e alugaram uma casa na Cohabinal e abriram um espaço pra vender ovos e armazenar latinhas.

Dona Francisca, mãe do Zé, achou a ideia ótima e moraram juntos por muito tempo.

A “casa dos ovos” de dona Francisca virou mercadinho e Zé e Dorinha resolveram se casar, depois que ela engravidou.

– Vamos casar, mãe, assim que meu filho nascer.

– Não. Case logo pro povo não ficar falando mal de vocês.

Assim fizeram e quando Doriana nasceu a família ficou mais unida.

Zé empregou um rapaz conhecido na coleta de latinhas e ficava no mercadinho administrando os negócios.

Todos os dias dona Francisca ia buscar os ovos na granja que contava com mil e duzentas galinhas porteiras e um casal tomando conta.

A Casa dos ovos cresceu e tornou-se um mercadinho sortido e com uma boa clientela empregando pessoas do bairro e um carro de som anunciando as promoções pelas ruas vizinhas.

Alugaram um galpão perto do mercadinho e as pessoas iam levar pra lá latinhas e garrafas vazias pra reciclagem.

Zé, Dorinha, dona Francisca e a neta Doriana trabalhavam todos juntos até Doriana se formar em Odontologia e montar seu consultório no centro de Parnamirim.

Encontrei Zé e Doralice no Aeroporto com viagem marcada pra Lisboa e perguntei:

– Zé Raimundo, em quem você se inspirou pro seu modo de viver.

– Ari Ricardo.

 

 

 

 

 

 

Jaécio Carlos –  Produtor e apresentador dos programas Café da Tarde e Tribuna Livre, para YouTube

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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