VIRAMUNDO 124 –
Antonio Belo de Freitas, mais conhecido por Belo de Freitas, é de Passa e Fica, cidadezinha no interior do Rio Grande.
– Oh! Belo, por que “Passa e Fica”?
– Sei não. O povo parece que é doido botar um nome desse na cidade.
– Como é chamado o povo que nasce lá?
– Passafiquense.
– Vots que doideira porque quem passa não fica, né?
As pessoas da cidade não pra isso até se acostumou com o nome da cidade.
Mas Belo Freitas, ou simplesmente Belinho era um desses visionários que gostava de grandes projetos.
Veio embora pra Natal e aqui fundou uma empresa de comunicação: a Passa e Fica Natalense Comunicação com o objetivo de divulgar as coisas pra “ficarem” para sempre.
Começou com sistema de som do parque de diversões.
Um locutor anunciava as músicas pedidas pelos rapazes para as moças que estavam na festa, se divertindo nos carroceis, barquinhos, roda gigante, montanha russa e outros.
“Atenção, atenção, a moça de blusa amarela e cabelo rabo de cavalo, Joãozinho da bicicleta oferece essa linda página musical”.
E o alto falante tocava a música pedida.
Daí Belinho conseguiu instalar uma rádio comunitária, no Bom Pastor, bairro da zona norte e o sistema era o mesmo.
Foi crescendo aí ele partiu pra lançar o Jornal do Bairro, com matérias sobre o local, anúncios dos comerciantes e distribuição gratuita nos ônibus, escolas e pontos estratégicos.
Qualquer pessoa podia escrever no jornal e isso garantia a circulação até partir para uma revista semanal com o
título “Cidade Revista”.
– Não seria melhor “Cidade em Revista”?
– Não, porque a ideia é revisitar a cidade, então defini esse nome
Belinho costumava fazer uma pesquisa junto as pessoas, de tudo o que iria fazer, mas era só uma forma de propaganda, porque predominava a ideia dele.
Partiu, anos depois, para botar no ar a “TV Passa e Fica com a seguinte explicação: “tudo o que passa na televisão fica na memória da pessoa”.
‐ É, faz sentido.
– Né não? Quem trabalha em comunicação, tem que criativo.
Belinho esta em todas aí entrou na política.
Candidatou-se a vereador e ganhou na primeira vez.
Sua presença no parque de diversões, radio comunitária do Bom Pastor e TV dava a ele uma divulgação excepcional.
Como presidente da Câmara instalou rádio e TV próprias pra divulgas os atos dos vereadores e contava com o apoio financeiro da Prefeitura.
Depois se elegeu Deputado Estadual, Federal, Senador e chegou a estar Governador até se aposentar.
Casou com Terezinha Macedo de tradicional família de Santa do Matos, tiveram 5 filhos e todos foram dirigir as em empresas criadas pelo pai.
Terminou a vida pública como Governador e esse homem que “veio do Sertão de Passa e Fica” pra sanar o “sofrimento do seu povo”, foi um sucesso de empreendedorismo.
Encontrei Belo de Freitas na Churrascaria Sal e Brasa com Terezinnha e dois netos, jantando, e perguntei:
– Belinho em quem você se inspirou na sua agitada vida?
– Roberto Marinho.
Jaécio Carlos – Produtor e apresentador dos programas Café da Tarde e Tribuna Livre, para Youtube
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