VENCENDO O MEDO – Cinthia Moreno

VENCENDO O MEDO –

O medo é uma reação que existe para nos proteger de perigos. Diante de situações ameaçadoras, o nosso corpo se prepara para uma possível luta ou fuga e, sem perceber, algumas substâncias (hormônios) são lançadas na corrente sanguínea, promovendo várias alterações em frações de segundos: o coração dispara, a respiração acelera, os músculos contraem, ficamos suados, a boca seca, etc. Esse mecanismo é normal.

Todos nós temos medo. Algumas pessoas tem medo de altura, de elevador, de falar em público ou de animais, como cobra e rato. Já outras têm medo de ficar sozinhas ou de estar em lugares com muita gente. O perigo pode ser real, ou não, e pode estar ligado a uma experiência ruim vivida, ou ouvida, anteriormente.

Pacientes que passam por cirurgias e depois necessitam de reabilitação física também têm seus medos. E são os mais variados: medo de sentir dor, de abrir a cicatriz, de quebrar o osso, de sangrar. Nesse contexto, explicamos às crianças e adolescentes que o medo diante de uma situação nova, que eles não conhecem e nunca viveram é normal, mas não pode comprometer o seu desenvolvimento, nem a evolução do tratamento. Explicamos também que se ele está no setor de fisioterapia é porque tem indicação e capacidade.  O que fazer então quando o paciente começa a tremer e pede para você não tocá-lo? Como agir quando a criança chora ao entrar no setor de fisioterapia?

Na rotina de atendimentos do setor de fisioterapia da Casa Durval Paiva, constatamos que a empatia e uma comunicação clara, objetiva, com uma linguagem que o paciente compreenda são fundamentais para fazer o medo ir embora e dar lugar à confiança. Quando o paciente sabe exatamente o que será feito e o que pode sentir, ele permite que a conduta terapêutica seja realizada.

É fundamental que o paciente se sinta acolhido e à vontade para falar do que tem medo. A partir daí, é possível explicar os objetivos e o que será feito para alcançá-los. Demonstrar o exercício ou a mobilização passiva que será realizada ajuda o paciente a compreender o que de fato será feito. A demonstração pode ser exercida pelo próprio fisioterapeuta ou no membro sadio do paciente. Por exemplo: se o paciente precisa iniciar movimentos em seu joelho direito, a demonstração é feita com movimentos no joelho do fisioterapeuta, ou no joelho esquerdo do paciente pra permitir a percepção do movimento.

Em alguns casos o medo é exacerbado e desproporcional, tornando-se patológico. Ao perceber características de fobia ou de estados de ansiedade, é necessário encaminhar o paciente para um psicólogo ou psiquiatra. Pois será muito difícil progredir com o tratamento de reabilitação sem um tratamento efetivo promovido por esses profissionais.

 

 

Cinthia Moreno – Fisioterapeuta – Casa Durval Paiva – CREFITO 83476-F

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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