UM MUNDO EM CRISE II – Josoniel Fonsêca

UM MUNDO EM CRISE II –

No artigo anterior sobre o mesmo assunto, analisamos aspectos da crise social e da crise psicológica, concluindo, então, que esta última, que assola o mundo, vem nos afirmar que estamos perecendo em angústias, em tensões, em terríveis aflições. Todos buscamos a resposta à confusão, à dor moral, ao vácuo espiritual que oprimem o mundo. Todos clamam por orientação, consolo e paz. Vivemos na “época da ansiedade”, somos filhos de uma “geração psicopata”, como o diria um psicólogo moderno. Nunca em toda a história da civilização esteve o homem tão sujeito a tanto receio e tanta incerteza como agora. Todos os esteios que eram familiares ao homem parecem ter sido varridos. Fala-se de paz, mas enfrenta-se a guerra. Traça-se planos de segurança, porém não se encontra tal segurança. Examinemos mais um aspecto deste mundo em crise.

CRISE MORAL

Perderam a clareza na sociedade de hoje, os princípios morais de muita gente. Para muitos não há nada absolutamente certo ou absolutamente errado. É constante a tendência que o CERTO e o ERRADO são meramente relativos aos nossos gostos e apetites, aos nossos costumes particulares, ao modo próprio de pensar de nossa cultura, comunidade ou nação. Esse relativismo moral perpassa em grandes doses a vida moderna. Muita gente pretende descobrir o certo e o errado através de uma apressada tomada de opinião da maioria. Muitos pautam-se em nossos dias por uma ética de “safar-se”. Nessa perspectiva, a única coisa certa é “safar-se”, e a única coisa errada é “ser apanhado em flagrante”. Assim, muita gente decide viver segundo uma filosofia de “sobrevivência do mais esperto”. Chegaram à conclusão de que os dez mandamentos não são mais importantes. O cumprimento desses preceitos passa então a ser substituído pela obediência a um décimo primeiro mandamento: “Não serás apanhado em flagrante”. A vida então passa a ser vivida à luz de uma teoria que parece dizer que está certo mentir, desde que façamos com um pouco de finura…. Não há problema de explorar os outros, desde que se mantenha um certo ar de dignidade…. Não importa que estejamos cheios de ódio, desde que vistamos o ódio com uma capa de amor, de modo a aparentar que estamos amando, quando de fato, estamos odiando. “Banque o esperto”, “seja vivo” – eis as palavras de ordem na sociedade hoje.

CONCLUSÃO

É esse, portanto, o cenário dos nossos dias: crise social, crise psicológica e crise moral, que aumenta o desenfreamento ético e o desequilíbrio psíquico que complica a existência. À medida que o mundo diminui, os nossos problemas se agigantam. Desaparecem as nossas liberdades e aumentam os nossos perigos.

A verdade é que o mundo atual marcha em meio a dilemas desconcertantes. Ao mesmo tempo em que a ciência econômica está mais adiantada do que em qualquer outra época, há no mundo mais pobreza e fome do que nunca. A ameaça de destruição pende sobre nossas cabeças como a espada de Dâmocles. Embora a psiquiatria e a psicoterapia nos prometam uma personalidade integral, há mais distúrbios nervosos e doenças mentais do que em qualquer outro tempo da História. Esta geração é a geração atormentada, a geração destinada a viver no meio da crise, do perigo, do medo e da morte. Muitas são as vozes pessimistas como a do existencialista francês Jean Paul Sartre, que escreveu no século passado: “Não há saída para o dilema humano”.

Quando estudamos as civilizações que ruíram na História, descobrimos, como diz o historiador inglês Arnold Toynbee, que a causa da queda coincide com o conceito de Desafio e Resposta. Quando uma civilização enfrenta um desafio, quer de dentro, quer de fora, se não lhe pode dar uma resposta adequada, essa civilização cai. Nossa civilização está sendo ameaçada e necessitamos dar uma resposta ao desafio do presente. Indago: seremos capazes de ter vontade, sabedoria e compaixão necessárias à luta por uma transformação dessas estruturas? Torna-se meridianamente claro que jamais venceremos o desafio do presente por meio do ódio ou do medo. Precisamos reconstruir nosso sentimento de propósito, nossa dedicação a uma grande causa, uma fé vital, se quisermos ter êxito frente à crise que se espraia pelo mundo.

 

 

 

Josoniel Fonseca – Aadvogado, professor universitário, membro da Academia de Letras Jurídicas do Rio Grande do Norte – ALEJURN, josonielfonseca@uol.com.br

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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