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Trump assume hoje a presidência dos Estados Unidos

O quinto presidente a ser eleito nos Estados Unidos sem a maioria dos votos — mérito do sistema de escolha por meio do Colégio Eleitoral — carrega o mito da América como terra de oportunidades. Aos 70 anos, Donald Trump chega ao “topo da cadeia alimentar” depois de ter erguido império de US$ 4,5 bilhões na construção civil e na especulação imobiliária. O patrimônio o coloca como o ocupante da Casa Branca mais rico da história, superando os US$ 580 milhões atribuídos a George Washington, presidente entre 1789 e 1797. Na verdade, ele enfrentou falências e condenações, mas sempre se manteve na lista dos mais ricos do mundo. A fortuna disponível para a campanha mostrou-se essencial para a vitória de Trump. Sem poder confiar no apoio irrestrito do Partido Republicano, o bilionário se viu obrigado a criar uma estrutura própria em busca dos votos do interior. E a disputa, longe do centro das grandes metrópoles, foi fundamental para um triunfo que surpreendeu os analistas norte-americanos.

A posse de hoje, na Casa Branca, é o ápice de um sonho iniciado no fim do século passado. Em 1999, Trump manifestou, pela primeira vez, o desejo de concorrer às eleições. Ele formou um comitê para preparar uma vaga nas primárias do Partido da Reforma, que se apresentava como opção aos republicanos, liderados por George W. Bush, e aos democratas, capitaneados por Al Gore. Recuou ao perceber que não conseguiria a indicação. O grupo optou por Pat Buchanan, que sairia do pleito com apenas 0,43% dos votos. Em 2012, o magnata anunciou novamente que concorreria, desta vez pelo Partido Republicano. Mesmo tratado como piada pelos pares, ele superou os 16 candidatos nas primárias, humilhando os favoritos Ted Cruz e Marco Rubio a cada debate televisionado nos Estados Unidos.
Com a disputa aberta entre ele e Hillary Clinton, democrata afinada com Wall Street, o discurso radical de Trump passou a ganhar cada vez mais espaço. “Americanismo, e não globalização, será o nosso credo”, repetia. Com o nacionalismo, vieram promessas da suspensão do seguro de saúde Obamacare, da redução de impostos e da construção de um muro na fronteira com o México para conter a imigração — obra que seria paga pelo vizinho. O populismo fez com que Trump desdenhasse de questões cruciais na agenda internacional, como o aquecimento global. “Está gelado e nevando em Nova York. ‘Precisamos’ de aquecimento global”, ironizou. Também ouviu acusações bem fundamentadas, no decorrer da campanha, de machismo, racismo e xenofobia. As controvérsias fizeram com que aliados como George W. Bush e Condoleezza Rice retirassem o apoio à candidatura de Trump, mas nem a saída de figurões conseguiu deter o homem que entrou em rota de colisão com o establishment norte-americano. A partir de hoje, o apresentador de O Aprendiz será o 45º presidente dos EUA.
Ponto de Vista

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