TRAVESSIA –
Os últimos corrimões foram fixados e tudo está pronto para a travessia.
De um lado as bagagens, acumuladas durante a vida, mudam de conteúdo conforme cada transeunte se achega para passar para o outro lado da ponte. O “lá” por mais que se diga e por mais que se estude, ainda é “desconhecido” em suas verdades. Se tais bagagens fossem transparentes, aos mais perspicazes, mostrariam os diversos sentimentos e emoções conduzidas durante a trajetória da vida, com sofreguidão ou com alegrias, conforme o peso que cada um assumiu até ali.
É uma ponte curta. Alguns nem a percebem. Afinal, muitas delas foram transpostas ao longo da vida. O que diferencia é a bagagem. Essa sim é determinante para a continuidade do que nos espera do outro lado.
O céu que encobre e que testemunha a travessia é o mesmo, mas cada um inclina a cabeça para o alto ou para baixo diferenciando o céu estrelado e cheio de luz, do chão pedregulhoso e repleto de buracos, tudo conforme o estado de espírito adquirido durante a caminhada na vida.
Uns fazem a travessia de uma forma leve e esperançosa de que encontrará algo que o anime. Outros fazem de forma pesada e rancorosa, resmungando de que tudo continuará como tal e qual.
Todos receberam, ao sopro da vida, um passaporte onde certamente constam registros e mais registros de tantas outras travessias. Essa será apenas mais uma.
Sei que muitos não tiveram condições de, em suas páginas, anotar essa, provavelmente a sua última travessia, pois foram tragados pelo peso da bagagem que, lentamente, foi minando as suas forças e tiveram os seus passaportes recolhidos pela Alfândega Divina.
A ponte também é a mesma, mas, para cada um, ela une condições diferenciadas pela vivência adquirida, mesmo que aos seus olhos nada pareça ter mudado.
Volto a lembrar: preste atenção ao conteúdo da bagagem e logo perceberá que a travessia tem um sentido diversificado e próprio, porém sempre será uma retomada para novas travessias que nos aguardam.
Retomada do fracasso para a vitória.
Da desesperança para a fé.
Da morte para a vida e da vida para a morte.
Para renovar diariamente a qualidade do amor praticado.
Para sorrir mesmo quando a dor persiste.
Para ser mais atencioso com o outro.
Para transformar os dias em dias melhores.
Para não desistir de fazer o bem.
Para fazer sempre o melhor que puder
Para acolher aqueles que em silêncio pedem socorro.
Enfim, uma retomada, seja qual for, de modo a aliviar o peso da bagagem que irá se acumular mais ainda até a próxima travessia.
Às vezes precisamos, primeiramente, fazer a travessia em nós mesmos, para que sirva-nos de aprendizado evitando que os nossos erros do passado e dos que cometemos no presente se repitam futuramente.
Uma coisa, porém, é certa: não importa a fragilidade ou a força que as nossas mãos possuem, sempre precisaremos de ajuda para a condução de nossa bagagem. E essa ajuda vem do responsável que edifica a ponte da vida: Deus.
Tenhamos coragem!
Façamos uma boa travessia!
Carlos Alberto Josuá Costa – Engenheiro Civil, escritor e Membro da Academia Macaibense de Letras, josuacosta@uol.com.br
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