O magistrado pretende ouvir Vorcaro e Costa no âmbito de um inquérito que apura fraudes financeiras do Master e do BRB. Além deles, Toffoli também convocou para a acareação o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.
Toffoli é relator do caso do banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), que tramita em sigilo.
A informação foi confirmada ao blog nesta quarta-feira (24) pela defesa de Costa, afastado do cargo em novembro após o escândalo vir a público. O STF também confirmou a marcação da audiência.
Uma audiência de acareação é um procedimento jurídico em que pessoas com depoimentos contraditórios (acusados, testemunhas, vítimas) são colocadas cara a cara para esclarecer divergências sobre fatos importantes do processo.
Vorcaro e Paulo Henrique Costa são investigados por fraude em papéis vendidos pelo Banco Master ao BRB.
Segundo apuração da TV Globo, com a acareação, Toffoli pretende esclarecer divergências entre os relatos dos investigados. O ministro também planeja esclarecer as circunstâncias das fraudes que envolvem o BRB e o Banco Master.
A Polícia Federal afirma que o Master emitiu Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com a promessa de pagar ao cliente até 40% acima da taxa básica do mercado. O retorno, no entanto, era irreal. Segundo a corporação, o esquema pode ter movimentado R$ 12 bilhões.
De acordo com a PF, há indícios de que dirigentes do BRB tenham participado do esquema. Em março, o BRB chegou a fechar um acordo para comprar o Banco Master, mas o negócio foi barrado pelo Banco Central.
A PF prendeu Vorcaro em novembro, mas o banqueiro foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Paulo Henrique Costa foi afastado do comando do BRB no dia 18.
Fundado em 1974 como Máxima Corretora de Valores, o Banco Master passou por diversas reorganizações societárias ao longo de quase cinco décadas. O movimento ganhou novo impulso em 2019, quando Daniel Vorcaro assumiu o controle da instituição e implementou uma estratégia de crescimento acelerado.
A partir de 2022, no entanto, esse ritmo mais intenso começou a levantar questionamentos no mercado, e analistas e investidores passaram a identificar sinais de fragilidade no modelo adotado.
Isso porque a instituição passou a captar dinheiro a custos cada vez mais altos e a direcionar esses recursos para investimentos considerados mais arriscados — uma combinação que levantou dúvidas sobre a capacidade do banco de manter suas finanças equilibradas no longo prazo.
O sinal de alerta ficou ainda mais evidente com os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) oferecidos pelo Banco Master.
O que são os CDBs? São títulos de renda fixa nos quais o investidor “empresta dinheiro” ao banco e recebe juros em troca. No caso do Master, esses papéis passaram a oferecer remunerações de até 140% do CDI — um nível muito acima do normalmente praticado por instituições com situação financeira considerada sólida.
Para especialistas, ofertas tão elevadas funcionavam como um sinal de alerta. A leitura é que, sem conseguir captar dinheiro a custos menores no mercado financeiro tradicional ou junto a grandes bancos, o Master passou a recorrer de forma crescente ao investidor pessoa física para reforçar seu caixa.
E as preocupações não eram infundadas: segundo investigações da Polícia Federal, parte do dinheiro captado teria sido usada para tapar déficits operacionais e honrar compromissos antigos — um modelo que só se sustenta enquanto há entrada constante de recursos novos e mais robustos.
Paralelamente, o banco passou a buscar uma saída por meio da venda de participação societária. A principal investida ocorreu em março deste ano, quando avançaram as negociações para a venda de 58% do capital ao Banco de Brasília (BRB), em uma operação estimada em cerca de R$ 2 bilhões.
O acordo, porém, rapidamente entrou no radar de órgãos de controle: o Ministério Público do Distrito Federal e o Ministério Público de Contas levantaram questionamentos sobre a falta de transparência da operação e os potenciais riscos para os acionistas do banco público.
Mas foi antes mesmo dessa tentativa de venda que a Polícia Federal deu início às investigações sobre o banco. Desde 2024, a PF passou a acompanhar de perto a instituição e identificou indícios de que o Master teria criado artificialmente carteiras de crédito e registrado ativos de baixa — ou até inexistente — qualidade como se fossem sólidos, o que acabaria distorcendo a real situação financeira do banco.
Nesse contexto, parte das irregularidades envolvia a emissão de cerca de R$ 50 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) sem que houvesse recursos líquidos suficientes para garantir o pagamento desses títulos no futuro.
As apurações também indicam operações suspeitas com créditos supostamente adquiridos da empresa Tirreno. Esses ativos teriam sido revendidos ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões, sem a documentação necessária, justamente no período em que se negociava a compra do próprio Banco Master.
Diante disso, o Banco Central decidiu decretar a liquidação extrajudicial do Master em novembro. Com a medida, as atividades foram interrompidas de forma imediata, a diretoria foi afastada e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado para indenizar correntistas e investidores, respeitando o limite legal de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
Paralelamente, a Justiça determinou o bloqueio dos bens dos controladores e de ex-executivos da instituição. As investigações continuam em andamento para apurar eventuais responsabilidades nas esferas civil e criminal.
Fonte: G1
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