TAQUI OS LIVROS –

A mensagem foi clara: “Estou fazendo uns descartes. Acho que alguns livros podem lhe interessar. Você quer que eu leve?”.

Em se tratando de livros, foi uma aceitação tácita em resposta ao meu grande amigo-irmão Elan Miranda: Quero sim!

Alguns dias depois, nova mensagem: “Tô passando aí para deixar os livros”.

Animei-me todo, até que um lampejo “cutucou” o neurônio da lembrança: será que o livro que dei de presente a ele, também estaria sendo ‘devolvido’?! Afinal o tal livro certamente nunca fora lido, pois conhecendo suas afinidades temáticas, só vim a perceber a gafe depois de feita a dedicatória e entregue ao mesmo, com a saudação – “parabéns”.

“Tô aqui na porta”

Acionei o sistema de “insegurança” mais moderno, o famoso “olho mágico”, para ter a certeza que a voz fosse “verdadeira”, como se de longe, o faro já não denunciasse que ali estavam os livros.

Um susto!

Portava o tal individuo, neste caso, meu amigo Elan, uma mala gigante, de viagem.

Pronto! Brigou com a mulher e veio passar uma temporada aqui em casa, pensei maliciosamente.

Com um sorriso largo: “Taqui os livros”.

Mais que depressa fi-lo entrar, pois nesses tempos de lava jato, explicar que aquela mala preta, me sendo entregue assim sem mais nem menos era de livros, daria um trabalho danado aos “curitibanos”.

Agradecido, comecei o deleite em manuseá-los de um lado para outro, como numa sinfonia de notas musicais que pareciam tocar a alma.

A mala assemelhava-se a um corpo sendo dissecado, aonde a cada parte deste corpo iam surgindo livros, pensamentos, histórias as mais diversas.

É como diz a escritora Ana Luiza Rabelo: “ia surgindo vida de dentro dele que falava por si só, contava a sua história com minúcias fantásticas, minúcias de uma viagem para um lugar onde eu ainda não ousara encontrar”.

Dar vida a esses livros é de responsabilidade do leitor e, de modo especial, àquele que abraça a missão de destiná-los para quais foram concebidos. Afinal há um pouco de cada autor nos personagens que desfilam suas afinidades e personalidades que são submetidas à indisfarçada apreciação.

Um desses livros me chamou atenção: AS CRISES DA VIDA subtitulado como “Fragmentos de uma Existência”, de Aluisio Rodrigues.  Ao abri-lo, em página a esmo, me deparei com uma foto que me fez reconhecer imediatamente o autor: tratava-se do Magistrado Trabalhista, Dr. Aluísio, pelo qual tenho admiração profissional pela sua esmerada competência e pela sua inerente qualidade humana.

Essa admiração provinha do respeito que transmitia naturalmente com seus princípios de honestidade e ética na prática do socialmente justo. Mas, nada sabia sobre o homem Aluísio Rodrigues por me restringir ao pouco tempo em que o conheci no TRT/JCJ de Natal, quando ainda funcionava na Hermes da Fonseca, quase em frente à AABB.

O citado livro praticamente “grudou-se” comigo, pois um lampejo de curiosidade aguçou minha vontade de explorar os “fragmentos” se sua existência, pois pressentia que dali muitos ensinamentos me acrescentariam em percorrer, tal como ele, “as crises da vida”.

Esqueci os demais livros e fui para a cadeira que me acolhe diariamente para as leituras e reflexões, me deliciar em acompanhar atentamente da “dedicatória” ao “post-scriptum”, quase que totalmente absorto, não fossem as interrupções que me faziam voltar à “crise anterior” para embalar as “crises futuras”.

Acho que Dr. Aluisio Rodrigues, foi muito “rigoroso” em denominar “crise” em cada etapa de sua vida. Bem melhor (para mim) seria trocar “crise” por “vivência”, pois desta, espelha o verdadeiro espírito humano que desfilou em humildade e sabedoria entre nós.

As coisas inúteis podem não ser as mais importantes, mas as simples são, às vezes, as mais decisivas na vida de cada um.”, cita o autor, entre tantas outras pérolas de quem soube transitar pelo caminho da vida, suplantando uma a uma as dificuldades de um mundo cheio de armadilhas.

Aconselho a todos, mesmo àqueles que ainda não perceberam suas crises, a lerem este livro, como forma de compreender o quanto cada um de nós, inclusive o Dr. Aluisio Rodrigues, somos peças chave no Plano de Deus.

As pessoas se encontram na vida muitas vezes por uma manobra do destino. Eu não o reencontrei, mas o encontrei graciosamente nos fragmentos de sua existência.

Que venham os livros!

 

Carlos Alberto Josuá Costa – Engenheiro Civil e Consultor (josuacosta@uol.com.br)

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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