“SOMOS, ENFIM, O QUE FAZEMOS PARA TRANSFORMAR O QUE SOMOS” (EDUARDO GALEANO) – Flávia Arruda

“SOMOS, ENFIM, O QUE FAZEMOS PARA TRANSFORMAR O QUE SOMOS” (EDUARDO GALEANO) – 

– Flávia… Flávia… – uma voz soava atrás de mim, ecoava pelos corredores da instituição na qual trabalho. Olhei para trás, após o segundo chamado.

A voz era de uma colega de trabalho que há tempos não me dirigia a palavra, sequer um “bom dia” éramos incapazes de desejar uma a outra. Parei onde estava, com um sorriso no rosto e aguardei que ela se aproximasse.

-Flávia, eu estou lhe devendo um pedido de desculpas- disse ela, ao se chegar junto a mim, continuou, sem que eu tivesse tempo para qualquer reação – eu preciso dizer o quanto a admiro e o quanto fui injusta com você.

Eu estava ali, parada, no meio do corredor, com pessoas passando em nossa volta, de certo modo, eu estava pasma com a cena inesperada para as primeiras horas de uma segunda feira, tudo isso acontecendo, enquanto ela tentava desfazer os anos de silêncio, eu ali, paralisada, buscando capitular o trajeto que ela percorreu nesses três anos, afinal, eu nunca soube o motivo que a levou a deixar de falar comigo.

“A raiva é um veneno que bebemos esperando que os outros morram.“ (William Shakespeare). É sobre isto, sobre o que os sentimentos são capazes de fazer conosco, tanto de bom como de ruim. No caso dela, creio eu, o processo que se deu entre a “raiva” que ela sentiu de mim até o reconhecimento e a vontade de tomar o antídoto (procurar-me para o pedido de desculpas) e acabar de vez com aquilo que estava lhe corroendo, deve ter servido para lhe trazer amadurecimento.

Sem dúvidas, a paz que tanto desejamos e necessitamos, para desfrutar do bem-estar e estar de bem com nós mesmos, perpassa pela libertação da mágoa, de sentimentos ruins, no processo de superação até se chegar aos benefícios, afinal, só quem se liberta desfruta.  Assim como a hostilidade fere muito mais a quem oferece, se libertar daquilo que fere, machuca e incomoda faz um bem danado de bom com o sabor agradável da sensação de leveza.

E assim somos: feitos de ciclos, fases, recomeços. “Somos, enfim, o que fazemos para transformar o que somos” (Eduardo Galeano)

 

 

 

 

Flávia Arruda – Pedagoga e escritora, autora do livro As esquinas da minha existência, flaviarruda71@gmail.com

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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