Ao longo dos anos, tenho assistido e participado de campanhas politicas em nosso estado. Inclusive, por ter nascido numa família de políticos, também me tornei um e fui detentor de mandato eletivo durante vinte e seis anos. E sempre me chamou a atenção o fato de que a cada sucessão para o executivo, o novo titular fala das dificuldades que encontrou, principalmente na esfera financeira e orçamentária. Isso acontece principalmente nas sucessões estaduais, apesar de ocorrer também nas mudanças dos prefeitos dos municípios.

Ultimamente lembro-me que Rosalba Ciarlini alardeou o fato de ter recebido o governo com um déficit de mais de R$800 milhões. E passou quatro anos lembrando sempre esse problema, olhando permanentemente pelo retrovisor, usando muitas vezes isso para explicar alguma descontinuidade das ações governamentais. O novo governo também apontou agora no inicio da gestão, para a dívida do estado, pouco mais de R$600 milhões. Um pouco menor do que a recebida por Rosalba, mas também um volume que não deixa de ser inquietante e significativo.

Contudo o que eu quero abordar aqui não é sobre finanças nem orçamento. O que eu quero dizer é que esse quadro, até nos tempos mais remotos, sempre foi agudo e cruel. E que a cada inicio de governo, o novo titular se esmera em mostrar essa fragilidade, como se tirando algum tipo de carta de seguro para o futuro. Mas todos sabem que o Rio Grande do Norte tem seus problemas estruturais e seus déficits financeiros. Por ser um estado pequeno, ter uma bancada diminuta no Congresso e sem um grande carro-chefe na área econômica, salvo o turismo, nem sempre priorizado.

O que chama a atenção é que quando a eleição chega, surge invariavelmente um monte de aspirantes ao mesmo e difícil cargo de Chefe do Executivo Estadual. Todos sabendo das suas dificuldades. Na campanha, são prometidos verdadeiros milagres, notadamente nas áreas mais criticas, como saúde, educação e segurança, entre outras. Ninguém se preocupa em mostrar os óbices financeiros e econômicos do estado. Tampouco há o cuidado de se informar de onde virão os recursos para tornar realidade os planos mostrados nas peças publicitárias e nos comícios estrada a fora.

Uma jornalista brasileira lançou recentemente um livro mostrando as diferenças entre a politica praticada no Brasil e aquela colocada a efeito na Suécia, lugar onde ela vive com o marido, natural daquele país. E ela dedicou uma grande parte a analise de como se comportam os candidatos lá e aqui, quando chega o período eleitoral. Uma coisa observada com muita ênfase foi exatamente a questão da transparência. Não apenas a que se cobra depois que os eleitos assumem seus mandatos. Mas principalmente aquela que deve existir antes da eleição terminar.

Isso porque, lá, para cada proposta do postulante, obrigatoriamente há a definição do valor do recurso necessário para torna-la exequível. E o mais importante: como o candidato irá viabilizar a contratação desses valores e a que custo. Essa sim é a transparência exigida pelos suecos. Aqui, os eleitores sempre se engalanam com as demonstrações de boa vontade, sem um só questionamento sobre como será possível realizar o prometido. O resultado nem sempre é feliz. Daí as constantes frustações. Isso tudo deixa sempre no ar a mesma pergunta. Se o estado é inviável, por que tantos querem governa-lo?

Nelson FreireEconomista, Jornalista e Bacharel em Direito

Ponto de Vista

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