As vezes nos deparamos com situações antagônicas de difícil solução.

Hoje, vejo-me em momento similar, quando me preparo para uma reunião como Chanceler da FACEX, na busca de solução para suas mantidas. O meu filho Oswaldo é o diretor financeiro e a filha Candysse a diretora pedagógica das respectivas instituições.

Sinto como é difícil nesse momento dissociar o pai do gestor. Mais uma vez, volto no tempo e procuro tirar lições que tive com meu velho pai. Ele pouco frequentou a escola, mas sempre mas sempre foi um sábio. Com ele muito aprendi e em seus exemplos ainda pauto meu caminho. Não desfazia os atos que eu praticava quando assumia a direção do armazém Bom Jesus, que ele criou. Primeiro na Rua do Motor, nas Rocas, depois ele transferiu para a Ribeira, na Rua Almino Afonso, fixando-se em seguida na Frei Miguelinho e finalmente, na Rua Mário Negócio.

Lembro-me que ele sempre me dizia: “comerciante não tem pátria, não pode errar e se isso acontecer, é preciso consertar de imediato, pois do contrário, não tem mais jeito”. Os ensinamentos que dele recebi fora dos bancos escolares, ainda hoje os carrego comigo e continuo a colocá-los em prática.

Nesse momento sinto a responsabilidade de ser o gestor que pensa nos atos a serem praticados e ser firme nas tomadas de decisão, mesmo que o sentimento paterno seja contraditório. Estou calmo, mas, como sempre, com o pensamento fixo nos exemplos daquele que muito me ensinou. Não, não posso enfraquecer!

Certa vez meu velho disse-me, com a energia de sempre: “se quereres ter, um dia,o teu próprio negócio, confia em ti por inteiro, pois isso é 70% do sucesso. O resto poderás aprender nos livros”.

Foi assim que comecei a construir uma empresa educacional hoje de todos conhecida como a Facex. Quarenta e cinco anos são passados e ela continua firme, crescendo sempre.

Lembro que antes gerenciei a Coca-Cola, do Grupo Filomeno e logo depois vi a Pepsi, do grupo Ferreira de Souza, todos com a ânsia de disputar o mercado de refrigerantes. Esqueceram a pequenina Dore, que tinha apenas 1% do mercado.

Hoje não mais existe quem fabrique em Natal a Coca Cola ou a Pepsi, mas a Dore continua com sua considerável fatia no mercado, e com a marca consagrada de sempre: “Quem bebe grapete, repete”.

Por isso, antes de tomar minhas decisões, fico sentado à mesa, muro de minhas meditações, penso nas lições de “seu’ Oswaldo, meu inesquecível pai, para depois dizer: É este o caminho! São decisões que às vezes magoam, mas no final, tudo dá certo.

Terminamos a reunião, nos abraçamos….

E eu volto a ser a figura do pai coruja de sempre.

José Maria Barreto de Figueiredo – Chanceler da Unifacex –  jn@facex.com.br

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