SEQUELAS NAS RELAÇÕES –
Tenho percebido que as relações de amizades estão desfalecendo à medida em que estamos passando do prazer da presença para a comunicação digital. E mais ainda, quando utilizamos emojis (ideogramas e smileys), em mensagens eletrônicas e páginas da web, em vez de algo escrito. Com isso estamos perdendo o interesse em querer compreender e se fazer compreendido, uns pelos outros, no campo das relações afetivas.
Se nos encontros já nos fazemos sintéticos com um “oi” ou um “olá” ou ainda com um “tudo bem” mais ainda em podermos, apenas, preterir ou engatilhar uma figurinha que, na maioria das vezes, em nada representa o verdadeiro sentimento que estamos experimentando naquele momento.
Não proporcionamos ao outro uma abertura para a reciprocidade em dizer o que pensa, sem medo de ser excluído pelo simples ignorar. Falta, claramente, a graça do encontro. Do olhar, do compreender, do acolher, do diálogo aberto que possa contribuir para que o outro e o próprio eu sejamos autênticos.
Na presença vemos e somos vistos, não na estética, mas na intencionalidade da convivência além dos pensamentos diferentes, como uma forma de reflexão e entendimento do outro, respeitando a sua maneira ser, sem o confronto provocativo.
Nossos modos, em relação ao próximo, exige o exercício da alteridade, em pensar na situação em que o outro se encontra, seus anseios, angústias, lutas e desejos, ao invés de estar menosprezando ou desdenhando suas diferença por sentir-se poderoso diante de um teclado insensível aos sentimentos afetivos.
Para Martin Buber (Filósofo austríaco, 1878 – 1965), a concepção de diálogo deve ser compreendida no sentido de religar, uma vez que traz para a discussão as sensações e estímulos em que o homem entra em relação autêntica com seu semelhante.
Estar inteiro na relação é o que faz o melhor que habita em mim encontrar o melhor que habita em você, criando assim uma relação onde as nossas mentalidades e emoções serão compartilhadas. Para isso, é necessário que uma integre a realidade da outra de forma ativa. Do contrário, se torna uma relação pautada pelo distanciamento. Sabemos que a pessoa está ali, de frente para o teclado, e que ela existe, mas não nos relacionamos diretamente com ela, pois não há interação emocional.
A apatia do diálogo presencial se observa claramente quando nos grupos sociais se “convoca” para um encontro com os demais e diversas são as respostas, algumas até animadoras, mas não passa disso. Não se assume o compromisso de estar presente, de experimentar o diálogo. O conforto da telinha faz a função que deveria ser nossa e, em desdém, adiamos ou perdemos a grande oportunidade da presença do outro.
Estabeleçamos, pois, a consciência da importância do diálogo para o ressurgimento da emoção presencial entre nós, curando assim, as sequelas nas relações.
Carlos Alberto Josuá Costa – Engenheiro Civil, escritor e Membro da Academia Macaibense de Letras (josuacosta@uol.com.br)
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