SÊNECA E A BREVIDADE DA VIDA – José Narcelio Marques Sousa

SÊNECA E A BREVIDADE DA VIDA –

Lúcio Anneo Sêneca (4 a.C.- 65 d.C.) foi filósofo, dramaturgo e escritor, considerado um dos expoentes intelectuais no início da Era Cristã. Nascido em Córdoba, Espanha, ainda jovem radicou-se em Roma onde recebeu educação refinada.

 Foi conselheiro nas cortes dos imperadores Calígula, Cláudio e Nero. Esse último, um de seus pupilos, tornou-se, no futuro, seu carrasco ao forçá-lo ao suicídio.

O pensamento de Sêneca enfatiza medidas práticas que ensinam como enfrentar os problemas da vida e como encarar sem temor a certeza da morte. Na sua obra Sobre a brevidade da vida, Sêneca tenta nos orientar para a possibilidade de atingir a tranquilidade da alma e os meios de fazê-lo.

Neste texto destaquei alguns dos ensinamentos do filósofo ainda atuais e inspiradores, mesmo transcorridos mais de dois milênios de concebidos.

  • Pequena é a parte da vida que vivemos, pois todo o restante não é vida, mas somente tempo.
  • Nenhum homem sábio deixará de se espantar com a cegueira do espírito humano. São econômicos na preservação de seu patrimônio, mas desperdiçam o tempo, a única coisa que justificaria a avareza.
  • Que tolice dos mortais a de adiar para o quinquagésimo e sexagésimo anos as sábias decisões e, a partir daí, onde poucos chegaram, mostrar desejo de começar a viver?
  • Não julgues que alguém viveu muito por causa de suas rugas e cabelos brancos: ele não viveu muito, apenas existiu por muito tempo.
  • Ninguém valoriza o tempo, faz-se uso dele muito largamente como se fosse gratuito. Uma vez lançada, a vida segue o seu curso e não o reverterá nem o interromperá, não o elevará, não te avisará de sua velocidade, transcorrerá silenciosamente.
  • …assim é o caminho da vida, incessante e muito rápido, que, dormindo ou acordados, fazemos com um mesmo passo e que, aos ocupados, não é evidente, exceto quando chegam ao fim.
  • A vida se divide em três períodos: aquilo que foi, o que é e o que será. O que fazemos é breve, o que faremos dúbio, o que fizemos, certo. Na verdade, o destino perdeu o controle sobre o passado, ninguém pode querer recuperá-lo.
  • Muito breve e agitada é a vida daqueles que esquecem o passado, negligenciam o presente e temem o futuro. Quando chegam ao fim, os coitados entendem, muito tarde, que estiveram ocupados fazendo nada.
  • A vida abandonou a alguns logo na sua primeira fase, antes de conseguirem atingir o máximo de sua ambição; a outros, após terem cometido diversas desonestidades e galgado a mais elevada posição, vem-lhes à mente a amarga convicção de ter trabalhado tanto por uma vã inscrição num túmulo.

Sêneca, certamente, não deixou apenas o seu nome numa lápide.

 

José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro civil e escritor – jnsousa29@gmail.com

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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