Categories: Blog

Secretaria de Saúde de Natal admite falhas em plantões e atribui ausência de médicos à pressão do sindicato

Secretário de Saúde de Natal admite falhas em plantões e diz que médicos foram pressionados pelo sindicato e cooperativa — Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi

Pelo segundo dia consecutivo, a população de Natal enfrentou incertezas quanto ao atendimento médico nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) reconheceu nesta terça-feira (2) que houve falhas nos plantões médicos nas unidades e atribuiu a ausência de médicos à pressão do sindicato.

Nesta terça-feira (2), postos como Nordelândia e Pompéia, na Zona Norte, amanheceram sem todos os médicos previstos na escala. Também foram registradas ausências de profissionais nas UBS Jardim Progresso, Felipe Camarão 2, Vale Dourado e Alecrim.

Na UBS Panatis, onde quatro médicos costumam atender a população — dois do programa Mais Médicos e dois contratados via cooperativa — apenas um profissional estava em atendimento.

Em UPAs como a da Cidade da Esperança, a falta de pediatras no início da manhã comprometeu os atendimentos. Ao longo do dia, as escalas foram preenchidas, mas houve superlotação e demora no serviço.

O problema começou após a troca de contratos feita pela Secretaria Municipal de Saúde. Até domingo (31), a Cooperativa Médica do Rio Grande do Norte (Coopmed) era responsável por preencher as escalas. Desde segunda-feira (1º), duas novas empresas — Justiz e Proseg — assumiram o serviço em contrato emergencial com validade de um ano, que pode alcançar até R$ 208 milhões, dependendo da prestação de serviços ao longo do período.

O secretário Geraldo Pinho afirmou que, além de problemas nas escalas das empresas contratadas, médicos foram pressionados pelo Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed) e pela Coopmed, antiga prestadora do serviço, a não assumir os atendimentos.

Segundo ele, médicos que haviam confirmado presença em escalas desistiram minutos antes do início dos plantões. “Isso não é coincidência. Médicos estão sendo ameaçados, coagidos, assediados a não assumir pela empresa nova. A secretaria não vai ceder à chantagem”, disse.

O presidente do Sinmed Geraldo Ferreira disse que a acusação de coação é inverídica. “O sindicato é representação, voz e defesa, o sindicato não resolve nada, quem resolve são as assembleias”, disse.

Em assembleia realizada na segunda-feira (1º) os médicos decidiram pela paralisação das atividades no município.

A SMS informou que, junto com as novas contratadas, vai denunciar o Sinmed e a Coopmed ao Ministério Público por coação e chantagem.

Protesto de médicos

Com o impasse entre a prefeitura e os plantonistas, um grupo de médicos realizou protesto em frente à sede da administração municipal, cobrando transparência na troca de contratos, pagamento de atrasados e realização de concurso público.

Em nota, a Coopmed negou as declarações do secretário e disse que nunca deixou escalas descobertas, mesmo diante de atrasos recorrentes nos pagamentos. A cooperativa afirmou que a ausência de contrato é responsabilidade exclusiva da gestão municipal, reforçou que sempre atuou dentro da legalidade e solicitou que eventuais falhas sejam encaminhadas aos órgãos de controle. A nota acrescenta ainda que o município mantém pagamentos em aberto desde março.

Entenda o caso

Em maio deste ano, a SMS anunciou a contratação, por dispensa de licitação, de empresas especializadas na prestação de serviços médicos para atuar de forma complementar em urgência e emergência nos CAPs, UPAs, policlínicas, UBSs e outros serviços habilitados ao SUS.

A pasta afirmou que o procedimento tinha caráter “excepcional e temporário”, com duração de 12 meses, podendo ser encerrado caso fosse concluído um processo licitatório definitivo.

No dia 16 de maio, após pedido de suspensão da Coopmed, a Justiça do RN mandou a Prefeitura suspender a contratação de médicos para as unidades de saúde de Natal. Três dias depois, em 19 de maio, a decisão foi revertida pelo desembargador Glauber Rêgo, autorizando a continuidade da contratação.

Os contratos emergenciais foram assinados por um ano, com valor de R$ 208 milhões, e dividem a cobertura médica entre duas empresas: Justiz e Proseg. Eles foram firmados sem licitação e chegaram a ser suspensos pela 6ª Vara da Fazenda Pública, mas a Prefeitura manteve a execução após decisão em segunda instância.

O diretor jurídico da Justiz, Venceslau Carvalho, disse que o processo “respeitou a lei de licitação e foi validado pelo TJRN”.

Já Matheus Santos, diretor jurídico da Proseg, afirmou que a cooperativa derrotada tenta impedir a transição. “Nosso interesse é manter os mesmos médicos, mas a Coopmed tenta agir como se os profissionais fossem sua propriedade”, disse.

Fonte: G1RN

Ponto de Vista

Recent Posts

Trump diz que não usará força para tomar Groenlândia, mas exige negociação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em seu discurso no Fórum Econômico Mundial,…

16 horas ago

CFM quer impedir que 13 mil alunos de Medicina mal avaliados em exame nacional possam atender

O Conselho Federal de Medicina (CFM) estuda impedir que 13 mil estudantes de Medicina do…

16 horas ago

Criança morre soterrada após casa desabar durante forte chuva no ES; cidades têm deslizamentos e árvores caídas

Uma criança de 10 anos morreu soterrada após o desmoronamento de uma casa devido às chuvas, na…

16 horas ago

BC decreta liquidação extrajudicial do Will Bank, que integra conglomerado do banco Master

O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito,…

16 horas ago

‘Sesc Parada na Ladeira’ terá show gratuito de Saulo Fernandes nesta quinta-feira (22) em Natal

A terceira edição do "Sesc Parada na Ladeira" será realizada nesta quinta-feira (22), abrindo a…

16 horas ago

PONTO DE VISTA ESPORTE – Leila de Melo

  1- Sábado (24) é dia de Clássico-rei! América-RN e ABC chegam em condições muito…

16 horas ago

This website uses cookies.