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Roubos caem e golpes crescem em 2024, aponta Anuário de Segurança

Cerimônia de entrega de itens de segurança para 23 estados e o Distrito Federal. Os bens, que fazem parte do acervo da Força Nacional de Segurança Pública.

O Brasil registrou queda em todos os tipos de roubos, mas viu aumentar o número de golpes em 2024, segundo o Anuário de Segurança, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado nesta quinta-feira (24). De acordo com o levantamento, os roubos atingiram o menor patamar desde o início da série histórica, e os estelionatos bateram recorde.

O estudo existe desde 2011 e mapeia os registros criminais anualmente feitos pelas secretarias de segurança pública dos 26 estados e do DF.

Com a exceção dos estelionatos, todos os demais indicadores sobre crimes patrimoniais apresentaram queda nos casos em 2024. Os registros indicam que o Brasil teve quatro golpes por minuto no último ano.

No Anuário, são considerados crimes patrimoniais:

  • Roubo e furto de veículos (-7,5%)
  • Roubo e furto de celulares (-13%)
  • Roubos a estabelecimento comercial (-24%)
  • Roubos a residência (-19%)
  • Roubos a transeunte (-23%)
  • Roubo a instituições financeiras (-17%)
  • Roubo de carga (-14%)
  • Roubo em geral (-15%)
  • Receptação (-7%)
  • Estelionato (8%)
  • e estelionato por meio eletrônico (17%)

 

Os números indicam que os estelionatos cresceram 408% nos últimos seis anos (de 426.799 para 2.166.552), enquanto os roubos caíram pela metade (de 1.506.151 para 745.333) no mesmo período.

A alta ocorre especialmente no ambiente virtual desde a pandemia de Covid-19, em 2020. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os golpes online subiram 133% em três anos: de 120.470 registros feitos em 2021 para 281.206 no ano passado.

Dinâmica do crime mudou

Segundo Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do FBSP, os dados indicam uma mudança na forma que os crimes patrimoniais são praticados no Brasil, saindo do ambiente físico e indo para o virtual.

“Já são cinco anos de tendência, o que consolida um movimento que, por si só, justificaria a reflexão sobre a reorganização do sistema de segurança pública no país”, afirma.

 

O especialista afirma que a criminalidade alterou a forma de agir a partir de 2020, ano em que começou a pandemia de Covid-19, e se consolidou ao longo dos últimos anos.

“Essa transformação reconfigura por completo a governança criminal — a forma como o crime se organiza — e, no caso aqui analisado, influencia a inversão entre roubos e estelionatos e influencia a forma como o crime opera para subtrair bens e recursos de suas vítimas”, diz.

Roubos e furtos de celulares

Ao longo de 2024, os registros de roubos e furtos de celulares caíram 13%, mas superam 917 mil aparelhos subtraídos de seus donos. No entanto, o Anuário mapeou os dias e horários em que os crimes mais ocorrem.

Os roubos de celulares no Brasil se concentram nas quintas e sextas-feiras, com picos nos horários em que a maior parte das pessoas estão saindo (entre 6h e 8h) ou voltando (19h a 20h) para casa.

Em relação aos horários, os crimes com violência ou ameaça se concentram no período da noite, com 41% registrados entre 18 e 23h. Oito em cada dez roubos são na rua.

O cenário dos roubos é o inverso em relação aos furtos (quando não há ameaça), com mais incidência de crimes aos finais de semana (34%) — sendo 18% dos casos aos sábados e 16%, aos domingos.

Já os furtos acontecem com mais frequência a partir das 10h e, depois, às 18h.

Outros destaques do Anuário:

  • Feminicídios e mortes de crianças crescem no Brasil em meio a queda de assassinatos;
  • 1 em cada 5 medidas protetivas com urgência concedidas pela Justiça brasileira foram descumpridas pelos agressores em 2024;
  • registros de roubos e furtos de celulares caíram 12,6%, mas o número de aparelhos tomados das pessoas supera 917 mil. Quinta e sexta são dias com mais roubos de celulares no país;
  • dos aparelhos roubados, as polícias brasileiras recuperaram 1 em cada 12 ao longo do ano passado. A quantidade representa 8% dos 917 mil aparelhos levados;
  • as 10 cidades mais violentas do Brasil estão concentradas no Nordeste, metade delas na Bahia. Segundo o estudo, os municípios sofrem com disputas de facções pelo controle do tráfico de drogas. Veja a lista;
  • o investimento dos governos federal, estaduais e municipais em segurança pública cresceu 6% e chegou a R$ 153 bilhões em 2024; as cidades investiram 60% mais do que em 2021;
  • os registros de novas armas caíram 79% de 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro (PL), para 2024, já no governo Lula (PT). A fabricação de armas no país caiu 92,3% de 2021 a 2024;
  • o total de pessoas presas cresceu 6% no Brasil em 2024 e chegou a 909.594. No entanto, há déficit de vagas, que supera 237 mil em todo país. Há, ainda, 13% da população carcerária que cumprem pena com tornozeleira eletrônica em prisão domiciliar;
  • os estados de RN e SC lideram as interrupções de aulas por conta de violência no entorno das escolas ou creches públicas, como ataques e toques de recolher; RJ é o 3º;
  • há crescimento nos casos de bullying e cyberbullying. Vítimas de bullying são, majoritariamente crianças partir de 10 anos (47%) e, no cyberbullying, adolescentes de 14 e 17 anos (58%).

 

 

 

 

 

Fonte: G1RN

Ponto de Vista

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