O Rio Grande do Norte tem 127 cidades em situação de emergência pela seca reconhecida pelo governo federal. O número, que representa 76% dos municípios do estado, é o maior do Nordeste e o segundo maior do país, ficando atrás apenas de Minas Gerais.
Os dados são do Sistema Integrado de Operações Sobre Desastres, plataforma ligada ao Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR) e foram consultados nesta quinta-feira (29).
Os níveis de seca são divididas em: relativa, fraca, moderada, grave e extrema, segundo a Defesa Civil Nacional.
Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a seca extrema avançou no RN, passando de 19% do território em novembro para 47% em dezembro.
“É a pior condição desde fevereiro de 2018 quando houve 18% de seca excepcional no estado, a mais severa na escala do Monitor”, citou o órgão.
Os municípios mais afetados, de acordo com a Defesa Civil Estadual, são os do Seridó potiguar e os das microrregiões Serra de São Miguel e Pau dos Ferros, conhecidas popularmente como Alto Oeste.
Ao todo, segundo o órgão, são 30 municípios em seca extrema e 58 em seca grave.
Para ajudar a combater esse cenário, o estado tem 76 cidades dentro da Operação Carro-Pipa, coordenada pelo Exército Brasileiro. A previsão é que o número de cidades atendidas chegue a 81 nos próximos meses.
Isso porque cinco municípios estão em fase de implementação:
A Operação Carro-pipa, ativa no RN desde 1998, garante o abastecimento emergencial de água potável para municípios do semiárido afetados pela seca.
No Rio Grande do Norte, segundo o Exército, a operação conta com 230 pipeiros responsáveis pela distribuição da água à população que vive em áreas em situação crítica por causa da crise hídrica.
A operação, segundo a Defesa Civil do RN, cobre uma população estimada de 88 mil pessoas.
Em 2025, o Exército entregou, em média, 42 milhões de litros de água potável por mês no interior potiguar.
O problema da seca também envolve os reservatórios de água do Rio Grande do Norte, que estão com 36% do volume total da capacidade, de acordo com o último levantamento do Instituto de Gestão das Águas do RN (Igarn).
O grosso desse volume – 83,4% – está armazenado nas quatro maiores barragens: Armando Ribeiro (1,03 bilhão); Santa Cruz do Apodi (324,3 milhões); Umari (149,5 milhões) e Oiticica (110,3 milhões). Inaugurada em março do ano passado, Oiticica recebe água da transposição.
A região mais crítica é o Seridó. Os açudes da região estão com menos de 10% da capacidade, como o Sabugi, em São João do Sabugi; o Traíras, em Passagem; e o Itans, em Caicó, que secou totalmente.
Fonte: G1RN
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