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RN registra em 5 meses de 2026 o dobro de surtos de ciguatera em relação a todo ano de 2025

O Rio Grande do Norte registrou pelo menos 27 surtos de ciguatera nos cinco primeiros meses de 2026, um número 107% maior que o registrado em todo o ano de 2026. O dado é da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap).

Na última segunda-feira (25) uma idosa de 85 anos morreu com suspeita de intoxicação por ciguatera após quase um mês internada.

A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados com toxinas produzidas por microalgas que se proliferam em recifes de corais tropicais e subtropicais. Os sintomas variam de enjoos a neurológicos. Não há tratamento específico para a ciguatera.

A coordenadora de Vigilância em Saúde da Sesap, Diana Rego, explicou que o surto não é uma contaminação individual. “O surto é quando uma família ou um grupo de amigos se reúne para comer e esse peixe está contaminado com a toxina. Aí esse grupo de pessoas se contamina, então por isso que é um surto”.

Segundo ela, o litoral norte do estado registra a maior parte dos surtos. “Nós tivemos casos e surtos em todo o nosso litoral, mas os maiores, os mais prevalentes foram no litoral norte, de Touros até Tibau”, explicou.

Os surtos foram registrados pela Sesap baseado em sintomas em pacientes de uma mesma fonte de contaminação, como uma família, por exemplo, após o consumo de peixe. No entanto, nem todas as pessoas dessa mesma fonte tiveram confirmações laboratoriais da intoxicação por ciguatera.

Por isso, até esta quarta-feira (27), os casos confirmados, em laboratório, de intoxicação por ciguatera em 2026 são 20 no Rio Grande do Norte.

Alguns registros ainda aguardam a confirmação laboratorial, como é o caso da idosa que morreu nesta segunda. Nesse caso, a Sesap informou que recolheu parte do pescado consumido para realizar uma análise em laboratório que demora cerca de 60 dias para ser concluída.

Histórico de casos

O primeiro surto no estado foi registrado em 2022, acometendo dez pessoas de um mesmo núcleo familiar, associado ao consumo do peixe popularmente conhecido como bicuda (barracuda).

Desde o primeiro caso, foram registrados episódios envolvendo diferentes espécies de peixes, segundo a Sesap, com destaque para barracuda (bicuda), cioba, guarajuba, arabaiana e dourado – incluindo confirmações laboratoriais da presença de ciguatoxina caribenha em algumas amostras analisadas.

Ciguatera: entenda o que é

A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes que vivem em áreas de corais e recifes contaminados por ciguatoxinas. Essas toxinas estão presentes em microalgas invisíveis a olho nu.

Peixes pequenos comem essas algas e acabam passando a toxina para os peixes maiores e carnívoros.

Quando o ser humano consome um desses peixes de médio ou grande porte, a intoxicação acontece, podendo causar sintomas que variam de enjoos a problemas neurológicos.

A Sesap reforça ainda que as ciguatoxinas são incolores, inodoras e insípidas, não sendo eliminadas por métodos convencionais de cozimento, congelamento, salga e defumação. Uma vez presente no pescado, a toxina permanece ativa mesmo após preparo e digestão. As maiores concentrações das toxinas estão presentes na cabeça, vísceras e ovas dos peixes.

Sintomas da ciguatera

Segundo a Sesap, os principais sinais e sintomas da ciguatera aparecem entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado, caracterizados por:

  • dor abdominal;
  • náuseas;
  • vômitos;
  • diarreia;
  • dores de cabeça;
  • cãibras;
  • coceira intensa;
  • fraqueza muscular;
  • visão turva; e
  • gosto metálico na boca;

 

Os sintomas podem persistir por semanas ou meses. A Sesap informou ainda que não existe tratamento específico ou antídoto para a ciguatera. Segundo especialistas, o tratamento visa combater os sintomas.

Recomendações à população

As principais recomendações da Sesap à população são:

  • procurar imediatamente os serviços de saúde diante de sintomas compatíveis, informando o consumo de pescado nas últimas 48 horas;
  • identificar a espécie consumida e preservar sobras do pescado, acondicionadas e congeladas, para posterior coleta pela Vigilância Sanitária;
  • evitar o consumo de pescados associados a relatos de intoxicação por Ciguatera, especialmente aqueles de procedência desconhecida.

 

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do RN (CIATOX-RN) também pode ser acionado em caso de dúvidas sobre a condução do caso. O Ciatox funciona em regime de plantão 24 horas por meio dos telefones 0800 281 7005 | WhatsApp (84) 98883-9155.

Fonte: G1RN

Ponto de Vista

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