RETORNO À ROTINA APÓS REABILITAÇÃO – Cinthia Moreno

RETORNO À ROTINA APÓS REABILITAÇÃO –

O momento da alta em um tratamento de reabilitação é algo esperado pela maioria dos pacientes e também dos fisioterapeutas. No entanto, desde a primeira sessão até a chegada da reabilitação, em alguns casos, percorre-se uma longa trajetória.

Tem paciente que pergunta logo no primeiro dia: “Quando vai terminar esse tratamento? Quando vou andar sozinho de novo? Quando vou receber alta?” Os objetivos do tratamento de reabilitação devem ser traçados e compartilhados com o paciente desde a avaliação inicial. Ele deve compreender que os propósitos serão alcançados gradativamente e que sua participação ativa durante todo o processo será fundamental.

Crianças e adolescentes com câncer podem apresentar várias deficiências decorrentes da própria doença ou do tratamento. Algumas, como fraqueza muscular ou alterações no equilíbrio, são temporárias e, com algumas sessões de fisioterapia, o paciente fica completamente reabilitado. Outras, entretanto, são permanentes e causam limitação na realização de tarefas como alcançar e segurar objetos, empurrar e puxar portas ou andar em diferentes ambientes. A dor também é uma queixa presente que pode acometer de 70% a 90% dos pacientes em fase avançada.

Alcançar todos os objetivos em sua totalidade às vezes não é possível. Então, quais são os critérios para dar alta a um paciente? Como ele pode seguir a vida sem o tratamento? As respostas dependem de muitos fatores individuais. Há casos em que o paciente vai ficar com restrição do movimento na articulação, vai ter alta e precisará adaptar-se às atividades de vida diária. Um fator importante é ele ter autoconhecimento e percepção de sua capacidade física e adotar um estilo de vida ativo, sendo o mais independente possível.

Ao longo do tratamento na Casa Durval Paiva, mostramos quais são as possibilidades que o paciente tem diante de suas deficiências. Se este sofreu amputação e não usa prótese, usar dispositivos auxiliares para andar, como muletas, pode promover maior independência para ir à escola, por exemplo. Observamos na prática que o paciente bem informado é mais confiante e sente segurança ao voltar à sua rotina. A prática de exercício físico regular também deve ser estimulada, pois ela contribui para a manutenção da integridade física e melhora ainda mais os aspectos físicos, como desempenho muscular, coordenação, equilíbrio e resistência.

Depois de uma longa série de tratamento com quimioterapia, radioterapia e cirurgia, o momento de informar ao paciente que ele não precisa mais da fisioterapia é extremamente gratificante. É a hora em que deixamos de atuar junto com ele e passamos apenas a observar sua nova história, a celebrar sua adaptação e reinserção social.

 

 

Cinthia Moreno – Fisioterapeuta da Casa Durval Paiva, CREFITO 83476-F

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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