Relembrando o Projeto Hope

Em 1972 com a posse do prof. Genário Fonseca, como novo reitor e do Professor Cortez Pereira, no governo do Rio Grande do Norte, os entendimentos iniciados há cerca de cinco anos num trabalho conjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, do governo do Estado e autoridades federais brasileiras para a vinda do navio hospital SS Hope ganharam novo ritmo.

Foi assim que pela primeira vez um navio-projeto do porte do Hope foi trazido ao Brasil, sob a intermediação dos Companheiros das Américas, comitê Rio Grande do Norte/Maine, com o intuito de realizar trabalhos conjuntos entre profissionais norte-americanos e brasileiros, ou melhor, norte-rio-grandenses, na área de saúde.

Durante 10 meses de permanência em Natal, o Hope atuou como uma extensão da universidade, promovendo cursos para toda a área de saúde e assistência social, integrando a sua equipe o pessoal do corpo docente e discente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e do nordeste.

Com a capacidade de 108 leitos hospitalares, três centros cirúrgicos, laboratórios completos, radioisótopos e com uma população de 300 pessoas entre técnicos e tripulação, sob a direção do Dr.John Wilnelm, que voltava vez por outra a Natal, mesmo depois da ida do navio, e com o qual continuei me comunicando, ás vezes através dos profissionais que permaneceram dando continuidade ao projeto em terra, como por exemplo, a enfermeira Mary Anne.

Após a partida do navio o projeto teve continuidade em terra, e ainda permaneceram em Natal até o ano de 1979, cerca de cinco enfermeiras do Projeto que, na condição de professor visitante, desenvolviam atividades nas várias disciplinas do Curso de Enfermagem da UFRN.

Eram mantidos três leitos na UTI, do Hospital das Clinicas, em intercâmbio com o PROJETO HOPE, do qual participei a bordo do navio HOPE, com aulas teóricas e praticas na Sala de Terapia Intensiva do navio, no período de 28/02 a 28/03/1972.

Quando cheguei à UTI do Navio Hope, encontrei o Almirante Tertius Pires Rabelo, vice-governador do Estado internado, ele que já havia sido meu cliente na UTI do Hospital das Clinicas – a qual foi aberta de urgência com o comandante do 16 RI – Regimento de Infantaria – Paulo Burlier, com diagnóstico de infarto, pelo seu médico cardiologista Paulo Bitencourt, então diretor do Hospital das Clinicas.

Na sua ida, após 10 meses em Natal, o Hope doou todo o material de Laboratório para a Clinica Pedagógica Professor Heitor Carrilho que deu continuidade aos exames, inclusive da fenilcetanuria, até esgotar o material, uma vez que não teve apoio do governo para repor o material e dar continuidade aos trabalhos. Portanto Natal foi a primeira cidade no Brasil a realizar este exame, ou seja, o teste do pezinho .

Daisy Maria Gonçalves Leite. 

Professora, Enfermeira, formada pela Escola de Enfermagem de Santos /SP março /1963

Ponto de Vista

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  • Estimada Escritora Daisy, gostei muito do que narrou sobre o Projeto Hope. Sem dúvida uma excelente iniciativa. Parabéns!

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