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Reino Unido vai às urnas em eleição que tem Brexit como tema central

O Reino Unido realiza eleições gerais nesta quinta-feira (12), convocadas porque o atual primeiro-ministro, Boris Johnson, considera que é preciso renovar o Parlamento para acabar com um impasse sobre o Brexit, o processo de saída do Reino Unido da União Europeia.

A votação começou às 7h locais (4h de Brasília) e está prevista para terminar às 22h (19h de Brasília). A expectativa é que a maioria dos resultados sejam divulgados na sexta-feira (13).

Johnson espera que, com mais parlamentares favoráveis a ele, seja mais fácil fechar o acordo de saída do bloco europeu.

Antes de ser dissolvido no dia 6 de novembro, o Parlamento tinha 298 conservadores e 243 trabalhistas.

Quatro eleições em quatro anos

Essas são as quartas eleições gerais em quatro anos, e cerca de 46 milhões de eleitores vão às urnas no Reino Unido.

As últimas aconteceram em 2017, quando a primeira-ministra era Theresa May. Ela esperava aumentar o número de conservadores no Parlamento, o que facilitaria a aprovação dos seus planos para o Brexit. Não deu certo. A bancada diminuiu, e May renunciou em maio de 2019 (ela ainda ficou no cargo até julho).

O Partido Conservador, então, escolheu Boris Johnson para ocupar o cargo, mas ele não passou por uma eleição geral.

As pesquisas sugerem que ele sairá vencedor. Os trabalhistas, cujo líder é Jeremy Corbyn, estão em segundo.

No entanto, os dois partidos estão tensos com a volatilidade do eleitorado, que está cansado da forma como a novela do Brexit se arrasta há mais de três anos –em junho de 2016, a maioria dos britânicos decidiu sair do bloco.

O pleito deste ano tem sido chamado pela mídia britânica de “Eleição do Brexit” –Johnson fez da saída da União Europeia o principal tema, principalmente por repetir incessantemente o slogan “Get Brexit done” (fazer o Brexit de uma vez).

Ele disse que vai ratificar um acordo de divórcio que está no forno com a União Europeia e tirar o país do bloco no dia 31 de janeiro caso seu partido obtenha a maioria dos 650 lugares no Parlamento.

“Se nós conseguirmos uma maioria na prática, teremos um acordo que está pronto”, disse na quarta-feira (11), em um evento de campanha em que cozinhou tortas.

“A campanha dele foi sobre liquidar o Brexit, mas na verdade seria começar o Brexit; as eleições parecem sugerir que se trata de algo simples, mas não é”, disse Tony Travers, professor de administração pública na London School of Economics.

“O Brexit dá o combustível para essas eleições”, diz Allan Bailey, um vereador de uma vila onde havia mineração de carvão na região central da Inglaterra.

Os conservadores se esforçaram para tentar ganhar em distritos da classe trabalhadora das regiões central e norte da Inglaterra que tradicionalmente elegem parlamentares do Partido Trabalhista, mas que, em 2016, votaram em peso para sair da União Europeia.

As pesquisas sugerem que a tática vai dar certo. Os conservadores foram apoiados pelo partido do Brexit, do líder Nigel Farage. Para não dividir os eleitores que apoiam a saída do bloco econômico, eles deixaram de concorrer em 317 distritos.

O Partido Trabalhista é majoritariamente pró-União Europeia e não é o único que tenta ganhar votos de eleitores que são contrários à saída do bloco.

Concorrem ainda os seguintes partidos:

  • Partido Liberal Democrata (centro)
  • Partido Escocês (nacionalista)
  • Partido Galês (nacionalista)

Além de outras agremiações que têm menos representatividade.

Johnson se escondeu em um frigorífico

Johnson, de 55 anos, é formado na Universidade de Oxford, uma das mais tradicionais do mundo, e é famoso por ser desarrumado –ele usa roupas e penteados desajustados e tem maneirismos ao falar.

Na quarta-feira (11), um repórter pediu para que ele entrasse ao vivo com um âncora de jornal televisivo. Ele então se escondeu em uma câmara fria. Ele também apareceu fazendo uma torta, manuseando um peixe e entregando leite.

Seu mandato, até agora, foi marcado por derrotas legais e no Parlamento e por ter conseguido negociar um acordo de Brexit com a União Europeia.

Ele tem evitado discorrer sobre os efeitos prolongados de sair do bloco econômico. A campanha tem sido marcada por mensagens breves para evitar que ele tenha que se explicar no futuro.

Durante a campanha, ele se controlou para não fugir de mensagens breves. Ele centrou seus esforços em zonas eleitoras em que os trabalhistas tradicionalmente vencem.

A campanha foi descrita pelo “New York Times” como monótona por conta de ser monotemática.

Corbyn, o socialista que faz as próprias geleias

Jeremy Corbyn, 70, é um ativista veterano que foi ligados a movimentos de pouca expressão política durante décadas.

Se ele vencer, será o primeiro-ministro mais esquerdista do Reino Unido –se isso de fato acontecer, no entanto, ele provavelmente será líder de um governo de minoria, que implica a necessidade de negociar com outros partidos da base.

A liderança que ele exerce no Partido Trabalhista é marcada por ter muitas facções e pela acusação de que ele tolerou antissemitismo em sua agremiação.Um rabino importante do Reino Unido, Ephraim Mirvis, foi um dos que afirmaram isso.

Vazou na imprensa britânica um documento de um movimento de judeus trabalhistas com 70 depoimentos que concluía que o partido não é mais um espaço seguro para as pessoas da religião. Corbyn demorou para pedir desculpas abertamente.

O líder sempre enfrentou resistência de jornais, revistas e TVs do país, num ambiente de imprensa em que dominam tabloides de direita.

No entanto, a lei britânica obriga os meios a darem um grande espaço de cobertura aos candidatos, e ele se beneficiou disso em 2017.

Ainda que tivesse um histórico de extrema-esquerda, ele tinha uma figura de avô que jardinava o próprio quintal, pedalava para o trabalho e que fazia suas próprias geleias. Seu discurso socialista fez sucesso com o público mais jovem. Ele evitou, em 2017, o tema do Brexit.

Nos dois anos seguintes, no entanto, a empolgação esfriou.

O tema da saída ainda domina a política britânica. O Partido Trabalhista quer um novo acordo com a Europa e, então, submeter esse texto a um referendo.

Fonte: G1

Ponto de Vista

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